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Fim da escala 6x1 desafia comércio às vésperas do Natal; lojistas estimam alta de 18% nos custos

Empresários tentam negociar adiamento da mudança para janeiro, mas CDL vê obstáculos jurídicos; sindicato que representa os trabalhadores defende diálogo para organizar a nova jornada.

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Comércio de BH enfrenta dificuldades para contratar temporários
Comércio de BH enfrenta dificuldades para contratar temporários • CDL Governador Valadares/ Divulgação

O comércio de Belo Horizonte e de Minas Gerais terá pouco tempo para se adaptar à mudança na jornada de trabalho prevista para 16 de dezembro, às vésperas do Natal. A transição da escala 6x1 para o modelo 5x2, com dois dias de descanso e sem redução salarial, preocupa empresários, que temem aumento de custos e dificuldades para manter o atendimento no período de maior movimento do ano.

Entre as alternativas em discussão estão a contratação de temporários, o revezamento de equipes, a adequação dos horários das lojas e o investimento em tecnologia.

O presidente do Sindicato dos Comerciários de Belo Horizonte, João Pedro Periard, defende a negociação entre trabalhadores e empresários para conciliar a nova jornada com as necessidades do setor. “Que a gente possa discutir com a parte patronal, com os trabalhadores, quais as possibilidades que a gente tem para poder fazer o melhor atendimento aos clientes do comércio de Belo Horizonte e região”, afirma.

João Pedro Periard, presidente Sindicato Comerciários de BH • Arquivo
João Pedro Periard, presidente Sindicato Comerciários de BH • Arquivo

Lojistas estimam alta de 18% nos custos

O presidente do SindiLojas BH, Salvador Ohana, estima que a mudança possa elevar em cerca de 18% os custos com salários, segundo cálculos apresentados pela entidade. Ele também alerta para possíveis impactos sobre os ganhos dos vendedores durante o Natal, período de maior volume de vendas. “Eu acho que deveria ter sido setorizada essa emenda constitucional. Para comércio é assim, pro hospital é assim, para um banco, é assim, para vigilante cada um de uma maneira, porque aí encaixava certinho em cada setor”, afirma.

Ohana diz que o setor pretende negociar o adiamento da mudança para 1º de janeiro, por meio de um ajuste na convenção coletiva. A proposta, porém, conforme apurado pela reportagem, enfrenta obstáculos jurídicos.

Salvador Ohana, do Sindilojas BH • Arquivo
Salvador Ohana, do Sindilojas BH • Arquivo

CDL considera adiamento improvável

O gerente jurídico da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Alexandre Dinelli, avalia que alterar o prazo de aplicação de uma emenda constitucional seria complexo e pouco provável em tempo recorde. “Por se tratar de uma emenda constitucional que já está em vigor, ela já é considerada parte do texto constitucional. Ou seja, um processo para conseguir fazer qualquer tipo de alteração agora é muito complexo e praticamente inviável”, explica.

Para Dinelli, os comerciantes terão de reorganizar as escalas e as folgas em um prazo curto, justamente quando a demanda aumenta por causa das festas de fim de ano.

A adaptação da jornada deve exigir planejamento das equipes e negociação entre representantes patronais e dos trabalhadores para conciliar os dias de descanso com o funcionamento das lojas.

Alexandre Dinelli, gerente jurídico da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) • Arquivo
Alexandre Dinelli, gerente jurídico da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) • Arquivo
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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

 

 

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