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Exposibram 2026 começa em BH com alerta sobre segurança e futuro da mineração

Evento reúne autoridades e representantes do setor até quinta-feira (27); abertura teve depoimento de vítima da tragédia de Mariana e debates sobre tecnologia, minerais críticos e investimentos

Por e 
Evento é realizado no Expominas, em Belo Horizonte • Divulgação
A cerimônia de abertura da Exposibram 2026, realizada nesta segunda-feira (24), em Belo Horizonte, começou com o depoimento de uma vítima da tragédia de Mariana, em uma referência aos impactos da mineração e à importância da segurança no setor. O evento reúne, até quinta-feira (27), autoridades, representantes de empresas, especialistas e lideranças para discutir os principais desafios e perspectivas da atividade mineral no Brasil.
A abertura contou com a participação de autoridades e representantes do setor, entre eles a presidente da Anglo American no Brasil, Ana Sanches; o presidente interino do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário; e Pedro Guerra, chefe de gabinete da Vice-Presidência da República, que representou o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Em seu discurso, Pedro Guerra destacou a importância da mineração para a economia brasileira e afirmou que as empresas do setor contribuem para a geração de empregos, tecnologia, exportações e divisas para o país. “Investem, exportam, geram empregos, tecnologia, diversificam os minerais que nós exportamos, trazem divisas para o nosso país e, portanto, contribuem enormemente para gerar prosperidade”, afirmou. Guerra também ressaltou o peso de Minas Gerais na produção mineral brasileira. Segundo ele, o estado responde por mais de 40% da produção mineral do país.
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O representante da Vice-Presidência também defendeu uma maior integração entre mineração e indústria. Para ele, a atividade mineral é estratégica para diferentes áreas, como agronegócio, saúde, bioeconomia, transformação digital, defesa e infraestrutura. Ele citou ainda a importância dos minerais para a produção de fertilizantes e para o desenvolvimento de tecnologias utilizadas na transição energética e na transformação digital.

“A mineração é responsável por quase tudo. Quando a gente fala de campo, a gente também tem que falar de mina. Os minerais são absolutamente inevitáveis, fundamentais para nossa produção agrícola”, disse. Pedro Guerra afirmou ainda que o governo federal tem buscado aproximar o setor mineral de outras áreas da economia e citou iniciativas relacionadas ao financiamento de projetos, infraestrutura, segurança de barragens, monitoramento de estruturas de rejeitos e aproveitamento desses materiais dentro de uma lógica de economia circular.

Segundo ele, também estão sendo adotadas medidas para ampliar a capacidade de fiscalização e regulação do setor, além do uso de inteligência artificial para aumentar a agilidade dos processos. Outro ponto abordado foi a rastreabilidade do ouro. Guerra citou ações de órgãos de fiscalização e controle e afirmou que as medidas adotadas contribuíram para reduzir a destinação de ouro associado a atividades ilegais. O representante do governo também destacou o cenário internacional marcado por guerras e conflitos e afirmou que o Brasil busca manter uma postura de diálogo e cooperação com outros países. “Temos optado pela parceria e não pela divisão”, afirmou.

Ana Sanches, presidente da Anglo American no Brasil, destacou a importância de Minas Gerais para a história da mineração brasileira e lembrou que Belo Horizonte é sua cidade natal. Ela também ressaltou os 50 anos de atuação do Ibram, celebrados neste ano. “É uma honra estar aqui hoje, nesse palco, ainda mais sendo Belo Horizonte, minha cidade natal, capital da nossa Minas Gerais, que é o estado onde tivemos o marco inicial da economia do ouro, da exploração mineral de grande escala no Brasil”, afirmou.

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Já Pablo Cesário abordou temas estratégicos para o futuro da mineração, como segurança das operações, transição energética, inteligência artificial e minerais críticos. Segundo ele, a transição energética e o avanço da inteligência artificial dependem diretamente da mineração, já que as novas tecnologias demandam uma série de minerais. Cesário também defendeu a importância de discutir os usos da mineração e a necessidade de ampliar o conhecimento sobre os recursos minerais considerados estratégicos para o país.

“Esse é o maior evento que nós já fizemos e é provavelmente um dos maiores do mundo. Nós temos 750 expositores com mais de 17 mil metros quadrados. No nosso congresso, são 270 palestrantes e mais de 3 mil inscritos. Este aqui é uma grande vitrine que vai gerar negócios, mas eles raramente são fechados aqui porque aqui a gente está falando de vender uma máquina. Não é igual a vender qualquer máquina. Cada máquina aqui tem uma especificidade muito grande e esses negócios começam aqui, mas perpassam o ano inteiro. Vamos perpassar, por exemplo, na nossa missão para o Canadá, para a Austrália, nós vamos para Riad, no ano que vem. Esses negócios continuam e são construídos ao longo do tempo. Por isso, é provavelmente um dos maiores eventos do mundo na área de mineração e, certamente, setorialmente, o maior do Brasil. O secretário do MME falou que o governo estava ciente de que ele precisava assumir risco junto com o setor privado. Eu estive já com o ministro da Fazenda, já estive com a Casa Civil e a gente já colocou isso como... e o governo entendeu. A gente precisa fazer alguns estudos técnicos de custos, de alternativa legislativa, mas me parece que as pessoas entenderam que essa é uma prioridade e a gente tem uma janela curta, mas me parece suficiente, dado o acordo que a gente conseguiu construir, o consenso que tem sido construído. Eu vejo, claramente. O ministro da Fazenda, isso aqui já passou por outras vezes, não é uma novidade exatamente. Além do Fundo Grande Douro, é um mecanismo tributário. O que acontece no Canadá e na Austrália? Aliás, é o único lugar do mundo onde isso acontece. Você pega assim, para cada mil anomalias, uma gera uma mina. Você não sabe, portanto, qual buraco, qual exploração que você fez, qual pesquisa que você fez que vai dar resultado. O que esse mecanismo faz? Todos os gastos que você fez e que foram buracos vazios, vamos dizer assim, que não deram resultado, acabam sendo considerados como necessários para criar esta única que funcionou lá atrás. É isso que o Canadá e a Austrália fizeram de diferença. É um mecanismo que chamamos flow-through shares, e isso que permite, por exemplo, financiamento da parte mais complicada, de maior risco, que é a pesquisa mineral, que é a mais frágil, porque você está muito longe de gerar receitas. Financiar uma empresa que tem receita é fácil, difícil é financiar a pesquisa mineral que a gente tem. Eu tenho que falar tudo aqui”, disse Pablo Cesário, presidente interino do Ibram.

A segurança das operações aparece entre os principais temas da Exposibram, em um momento em que o setor busca conciliar aumento da produção, novas tecnologias, transição energética e redução dos riscos associados à atividade mineral.

A programação do evento segue até quinta-feira (27), com debates, palestras e discussões sobre os desafios e oportunidades da mineração brasileira.

  • 24/08 – Cerimônia de abertura
  • 25/08 – Programação técnica e debates
  • 26/08 – Programação técnica e debates
  • 27/08 – Encerramento do evento
Por

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, trabalhou na produção de matérias para a rádio, na Central Itatiaia de Apuração e foi produtora do programa Itatiaia Patrulha. Atualmente, cobre factual e é repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

Por, Editor

Marcello Pereira é jornalista formado pelo UniBH e Editor de Redes Sociais na Itatiaia. Atua com estratégia digital, gestão de conteúdo para plataformas como Instagram e TikTok, coordenação de equipes e análise de métricas. Também possui experiência em assessoria de imprensa e comunicação institucional, com interesse em inovação, tecnologia e análise de dados.

 

 

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