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Empréstimo não resolve crise dos Correios, diz ex-membro do Conselho de Administração

Estatal aprovou a contratação de um empréstimo de R$ 20 bilhões para ser base do plano de reestruturação

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Leilão de encomendas abandonadas nos Correios será hoje
Correios acumula prejuízo de R$ 6 bilhões em 2025 • Marcelo Camargo/Agência Brasil

O empréstimo de R$ 20 bilhões que será contratado pelos Correios para uma “transição estrutural”, não deve resolver a grave crise financeira da estatal. A avaliação é de Marcus Pestana, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente e ex-integrante do Conselho de Administração dos Correios, em entrevista ao Agora CNN, neste domingo (30).

Os correios fecharam o terceiro trimestre com um prejuízo acumulado de R$ 6 bilhões, valor que representa quase o triplo do rombo de R$ 2,1 bilhões reportado no mesmo período do ano passado. Segundo Pestana, a crise é explicada pelo déficit de caixa imediato e um problema estrutural mais grave relacionado à falência do modelo de negócios da empresa.

“Qual foi a última vez que você passou um telegrama ou escreveu uma carta? O que ocorre é uma obsolescência tecnológica. O que justificava o monopólio estatal era o sigilo da correspondência, mas o mundo mudou, veio a internet. Na era do e-mail e do WhatsApp, quem usa telegrama ou carta? Aí o que resta do modelo de negócio atualmente é competir com a iniciativa privada no setor de encomendas”, explicou Pestana.

De acordo com o especialista, sem a necessidade de trocar uma carta, o modelo de negócios dos correios perdeu a razão de existir, enquanto as empresas privadas são mais eficientes no modelo de entrega. “Não adianta fazer empréstimo se o futuro não corrigir os problemas do passado. Se o futuro não pagar o empréstimo, quem vai ser sacrificado é o contribuinte brasileiro”, emendou.

Neste sábado (29), o Conselho de Administração dos Correios aprovou o empréstimo de R$ 20 bilhões do plano de reestruturação da estatal. A operação será concedida por um grupo formado por cinco instituições financeiras: Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra, segundo informações da Folha de S. Paulo.

O crédito terá garantia do Tesouro Nacional, mecanismo que transfere ao governo federal a responsabilidade pelos pagamentos caso a empresa não consiga arcar com as parcelas. Esse aval foi decisivo para a conclusão da negociação, que avançou após flexibilização das exigências impostas pelos bancos.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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