Debate sobre fim da escala 6x1 exige cautela, diz presidente da Abrainc
Durante o CNN Talks, Luiz França afirmou que mudança pode elevar custos, impactar imóveis e prejudicar a economia

O presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz França, afirmou que o debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1 não deve ser feito de forma apressada, por envolver questões complexas e impactos relevantes na economia. A declaração foi feita durante participação no CNN Talks 2026, no painel “O Futuro da Jornada de Trabalho”. Segundo ele, antes de qualquer mudança, é necessário que a sociedade compreenda os custos associados à redução da jornada.
França alertou que decisões precipitadas podem gerar efeitos negativos no setor produtivo, especialmente no mercado imobiliário. “As pessoas ainda não entenderam que a realidade vai mudar com essa mudança - o impacto pode significar alta de até 5% em imóveis, por exemplo. No nosso estudo, isso pode chegar a 2 milhões de pessoas que perderão a oportunidade de comprar um imóvel”, afirmou.
De acordo com o executivo, o aumento de custos também tende a desestimular investimentos. Ele destacou que o cenário atual, marcado por juros elevados e inflação em alta, já impõe dificuldades ao setor. “Com uma taxa de juros alta e inflação em avanço, investir em negócios custosos e endividamentos deixa de ser atrativo. O que queremos é que o Brasil reduza o seu déficit, que a Selic caia e que o trabalhador seja bem remunerado para uma melhora do poder de compra brasileiro”, disse.
CNN Talks
O primeiro CNN Talks de 2026 discute o futuro da jornada de trabalho no Brasil. Para trazer a percepção do setor produtivo e debater os reflexos de uma eventual redução na jornada de trabalho na economia brasileira. O evento trouxe nomes importantes do setor produtivo, entre eles: Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação da Indústria do Estado de São Paulo); Luiz França, presidente da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) e Vander Giordano, conselheiro da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers).
Outro foco de discussão é a "Sustentabilidade Econômica e Modernização da Jornada". Os convidados debatem o trabalho da relatoria da CCJ para obter um relatório de consenso em que preveja a modernização da jornada com a sustentabilidade econômica dos setores produtivos; a pressão para que a votação da PEC ocorra em abril; as correlações entre carga horária, saúde do trabalhador e a sustentabilidade das empresas no longo prazo; e o contexto global do debate sobre jornada de trabalho.
