Itatiaia

Alvo da PF por suspeita de fraude na Caixa, Fictor tentou comprar o Master

CEO do grupo, Rafael Góis, foi alvo de busca e apreensão em sua residência por suspeita de integrar esquema de fraude

Por
Tentativa de compra do Master pela Fictor foi anunciada um dia antes do banco ser fechado
Tentativa de compra do Master pela Fictor foi anunciada um dia antes do banco ser fechado • Rovena Rosa/Agência Brasil

O CEO do Grupo Fictor, Rafael Góis, é um dos alvos da operação Fallax, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (25), contra uma organização criminosa especializada em fraudes na Caixa Econômica Federal com prejuízos estimados em R$ 500 milhões. Em novembro do ano passado, o grupo havia tentado comprar o Banco Master.

Um dia antes da liquidação do conglomerado do banqueiro Daniel Vorcaro, a proposta da Fictor havia sido divulgada ao mercado. Após a primeira fase da operação Compliance Zero, que mirou a venda de carteira de créditos falsas pelo Master, resultando no fechamento da instituição, o grupo cancelou a compra.

Na época, a empresa afirmou que tomou conhecimento dos fatos contra o Master pela imprensa, assim como as medidas tomadas contra o Vorcaro. O grupo também destacou que a proposta pela compra do Banco Master estava integralmente condicionada à análise e aprovação prévia dos reguladores, incluindo o Banco Central.

No início deste ano, o Grupo Fictor entrou em recuperação judicial com dívidas que totalizam R$ 4,3 bilhões. No seu pedido, a empresa afirmou que a “crise reputacional” gerada pela tentativa de compra do Banco Master contribuiu para a deterioração da situação financeira da instituição.

Até a véspera da liquidação do Banco Master, a Fictor havia recebido aproximadamente R$ 3 bilhões em aportes por meio de seus sócios participantes. A partir desta data até o último dia 30, os pedidos de retirada de dinheiro alcançou cerca de 71% deste montante.

Por meio de nota, a defesa de Rafael Góis informou que foi realizada diligência de busca e apreensão na residência do CEO. “Apenas o seu celular foi apreendido. Tão logo sua defesa tenha acesso ao conteúdo da investigação, serão prestados os esclarecimentos necessários às autoridades competentes, com o objetivo de elucidar os fatos”, disse.

Por

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.