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Rota do Rosário avança na ALMG e busca reconhecimento histórico do Congado em MG

Projeto aprovado em 1º turno garante direitos, protege territórios e impulsiona a economia cultural ao valorizar as tradições das Irmandades do Rosário

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Rota do Rosário • Divulgação | Matheus Soares

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) deu um passo fundamental para o reconhecimento da cultura afro-mineira. No dia 29 de abril, foi aprovado em primeiro turno o projeto de lei que institui a "Rota do Rosário". A iniciativa propõe o reconhecimento oficial do Congado, do Reinado e das Irmandades do Rosário como patrimônio vivo do estado, consolidando uma trajetória de séculos marcada por fé, resistência e organização comunitária.

O projeto, de autoria da deputada Andréia de Jesus, do PT, é visto como uma reparação histórica para o povo negro mineiro, cujas manifestações culturais foram mantidas vivas por gerações, muitas vezes enfrentando a invisibilidade e a falta de apoio do poder público.

Direitos e proteção ao patrimônio

O texto aprovado vai além do reconhecimento simbólico: ele estabelece garantias concretas, como o direito à realização de festejos e cortejos, o uso de espaços públicos e a proteção de territórios e lugares sagrados. Um dos pontos centrais da proposta é a obrigatoriedade de consulta prévia às comunidades na formulação de políticas públicas, colocando os congadeiros como protagonistas na gestão de suas próprias tradições.

Além da dimensão cultural e religiosa, a Rota do Rosário reconhece a força econômica dessas comunidades. Segundo defensores da proposta, o Congado já opera como uma rede estruturada e autossustentável. Como exemplo, o projeto cita a Romaria para Aparecida do Norte, onde a organização comunitária mobilizou cerca de 170 ônibus partindo de Minas Gerais, movimentando milhões de reais sem auxílio estatal.

Desenvolvimento e economia criativa

A institucionalização da Rota promete abrir caminhos para investimentos em turismo cultural e economia criativa, impactando setores como artesanato e culinária local. A medida é o resultado de uma intensa mobilização social, consolidada em audiências públicas que contaram com a participação de representantes de cerca de 30 municípios mineiros.

O projeto soma-se a outras iniciativas recentes implementadas no estado, como o reconhecimento de territórios quilombolas e a criação de editais específicos. No Triângulo Mineiro, por exemplo, ações como oficinas de tambores e projetos de valorização de mestres e lideranças já vinham sendo adotadas como estratégias de combate à intolerância religiosa e preservação da memória.

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Giovanna Damião é jornalista da televisão, digital e do rádio. Desde 2020 como social media e redatora na televisão e, mais recentemente, atuando como apresentadora e repórter da editoria de cultura. Com versatilidade no jornalismo, caminha pela música, eventos, esportes e entretenimento.