Memória e resistência: projeto mapeia saberes ancestrais de mulheres negras em BH
Iniciativa da AIC, em parceria com a Fundação Banco do Brasil, promove formação, pesquisa e empoderamento socioeconômico em comunidades tradicionais da capital mineira

Neste sábado (28), a capital mineira dá um passo significativo na valorização da identidade afro-brasileira com o lançamento do projeto "Mulheres Negras, Cultura Ancestral: Núcleo de Formação Memória em Belo Horizonte". Realizado pela AIC (Agência de Iniciativas Cidadãs) em parceria com a Fundação Banco do Brasil, o evento de abertura acontece às 8h, no Plug Minas.
O projeto surge como uma resposta à necessidade de preservar e fortalecer os saberes, práticas e fazeres das mulheres negras, frequentemente invisibilizados, mas fundamentais para a resistência cultural e o desenvolvimento socioeconômico de territórios periféricos.
O núcleo de formação será composto inicialmente por 30 mulheres, representando 10 grupos e comunidades tradicionais de BH localizados em áreas de vulnerabilidade social. As aulas e o mapeamento serão conduzidos por 10 mestras e lideranças locais, que indicaram outras 20 participantes para integrar o ciclo.
De acordo com Laiene Souza, gerente de projetos na AIC, o objetivo é construir um programa de formação em práticas que alimentam a vida cultural e econômica desses grupos. "O projeto busca não apenas celebrar a herança ancestral, mas fortalecer a voz e a influência dessas mulheres nos espaços que ocupam", explica.
"Apoiar iniciativas que fortalecem a identidade, a memória e o protagonismo das mulheres negras reafirma nosso compromisso com a equidade e a construção de soluções transformadoras", destaca André Machado, presidente da Fundação BB.
Um calendário de saberes e práticas
Até dezembro de 2026, o projeto percorrerá diversas etapas fundamentais. Entre os temas centrais das formações presenciais, destacam-se:
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Ancestralidade e acolhimento: ministrado por Elaine Silva (Nzinga) e Edneia Aparecida (Temperando Vidas), com foco no combate à violência doméstica.
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Alimentação ancestral: conduzido pela Rainha Isabel Casimira (Reinado Treze de Maio) e Makota Célia (Cenarab), abordando o manejo de plantas e segurança alimentar.
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Pedagogias afro-brasileiras: com Makota Cassia (Kilombo Manzo) e Madu dos Anjos (Odum Orixás), focado em letramento digital e alfabetização.
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Empreendedorismo e musicalidade: oficinas que exploram as múltiplas potências das mulheres negras e a transmissão intergeracional de ritmos e tradições.
Além das formações, as participantes realizarão um mapeamento especializado dos saberes ancestrais em seus territórios, resultando na confecção coletiva de murais e mapas. O projeto também inclui uma ação com crianças e adolescentes, utilizando as tecnologias sociais "Pedagogia da Ciranda" e "Pedagogia da Roda", certificadas pela Fundação BB, para sensibilizar as novas gerações.
Para o público em geral, a AIC oferecerá uma aula virtual gratuita sobre escrita de projetos e formalização, visando dar autonomia para que coletivos de mulheres negras possam acessar recursos e editais de forma independente. O encerramento ocorrerá com um grande seminário para 80 pessoas, onde serão apresentados os registros produzidos e a certificação das participantes.
Sobre a AIC
Com 31 anos de história e reconhecimento internacional pela ONU e Unesco, a Agência de Iniciativas Cidadãs atua no desenvolvimento humano e fortalecimento da sociedade civil através de redes de mobilização social.
Programe-se!
Lançamento do Projeto "Mulheres Negras, Cultura Ancestral"
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Quando: sábado, 28 de março, a partir das 8h
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Onde: Núcleo das Juventudes (Plug Minas) | Rua Santo Agostinho, 1441, Horto Florestal
Giovanna Damião é jornalista da televisão, digital e do rádio. Desde 2020 como social media e redatora na televisão e, mais recentemente, atuando como apresentadora e repórter da editoria de cultura. Com versatilidade no jornalismo, caminha pela música, eventos, esportes e entretenimento.
