Festival Sensacional celebra a diversidade da música brasileira com edição histórica
Criado em 2010, o Festival Sensacional! entregou em 2026 a maior edição de todos os tempos com mais de 15 horas de shows e 25 mil pessoas nos dois dias de evento

Um dos principais encontros da cena cultural de Belo Horizonte e de Minas Gerais, o Festival Sensacional transformou o Parque Ecológico da Pampulha em um grande território de encontros neste fim de semana. Em dois dias de programação, artistas de diferentes gerações, sotaques e vertentes da música brasileira dividiram os palcos e levantaram uma verdadeira poeira no gramado lotado do espaço.
Entre nomes consagrados e artistas que ajudam a desenhar os novos caminhos da música brasileira, o público circulou pelo parque ao som de rap, MPB, pop, samba, soul, R&B, manguebeat e dos ritmos amazônicos. Mais do que uma sequência de shows, a edição de 2026 colocou em diálogo diferentes Brasis — e encontrou na diversidade uma de suas principais forças.
No sábado (8), a rapper paulista NandaTsunami abriu a programação do Palco Pierre e colocou o público para dançar ainda nas primeiras horas do festival. Pelo mesmo palco, passaram os Gilsons — José, Francisco e João Gil, filho e netos de Gilberto Gil, respectivamente — com a turnê do último álbum: “Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão”.
O disco nasceu em um período especialmente delicado para a família. Em conversa com a Itatiaia nos bastidores do evento, José Gil definiu o processo de criação como uma experiência de transformação e cura.
“Foi um processo muito, muito especial, dentro de um contexto de um ano muito difícil. Então, um álbum transformador pros três, um álbum que a gente costuma dizer até de algum lugar de cura”, relatou.

A apresentação também ganhou um significado particular por outro motivo. Preta Gil, mãe de Fran, completaria 52 anos no dia do show. A cantora, que morreu em julho do ano passado após um tratamento delicado contra o câncer, foi lembrada pelo filho e pelos sobrinhos durante a apresentação e pelo público, que entoou seu nome em um único coro.
“O fato é que hoje é um dia de guardar boas memórias; um dia de alegria, de fé e de festa. São coisas a que estamos aprendendo a nos acostumar, o que exige muita sabedoria de nossa parte. Vivendo isso juntos e individualmente, temos nos provocado a ir mais fundo. E ela vai conosco; nós vamos com ela para onde for”, afirmou Francisco.
Depois da apresentação dos Gilsons, Pabllo Vittar levou ao Palco Pierre a turnê que celebra seus dez anos de carreira. Entre coreografias, figurinos e grandes sucessos, a cantora revisitou músicas como “No Hablo Español”, “Bandida” e “Amor de Que”, além de apresentar “ROCKSTAR”, primeira faixa divulgada de LOST IN LUST, seu próximo álbum de estúdio, previsto para outubro.
Em conversa com a reportagem da Itatiaia, Pabllo adiantou que o novo trabalho terá outras participações especiais, mas preferiu manter o mistério sobre os convidados. Urias e Villano Antillano, que participa de “ROCKSTAR”, já estão confirmados no projeto.

Marina Sena encerrou a programação do Palco Pierre com um espetáculo marcado pela atmosfera envolvente de Coisas Naturais. Entre a força do pop e a delicadeza de suas canções, a artista mineira transformou o palco em um espaço de experimentação e reafirmou a presença de Minas na nova música brasileira.

No Palco Vivo, a noite começou com Os Garotin. Vencedores do Grammy Latino, Léo Guima, Anchietx e Cupertino levaram ao festival a sonoridade que nasceu em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, construída a partir do encontro entre R&B, soul e MPB.
"Pra gente foi uma coisa muito louca. A gente nunca tinha nem saído do Brasil. Tudo tinha sido uma grande coisa. [O Grammy] era uma cereja do bolo que a gente não esperava. A gente já tava bem com a tortinha do bolo que a gente tinha comida. Depois da cereja... pô", relatou Guima à Itatiaia.

Depois, foi a vez de Gaby Amarantos fazer o Parque Ecológico mergulhar na cultura paraense. As cores, os ritmos e a energia do Pará ganharam o palco em um show que também apresentou ao público elementos de Rock Doido, seu mais recente trabalho de estúdio.
Em conversa com a Itatiaia, Gaby lembrou a relação construída com o público de Belo Horizonte desde o início da carreira e destacou a recepção que teve no festival. “BH sempre recebeu meu trabalho com muito carinho, desde meu primeiro álbum, Treme, mas aqui no Sensacional foi uma explosão, uma catarse, algo que eu nunca tinha visto. Estou muito feliz”, afirmou.

O encerramento do Palco Vivo ficou por conta de FBC e Djonga. O encontro entre os dois rappers mineiros reuniu diferentes gerações e momentos da cena hip-hop de Minas Gerais e transformou o fim da noite em uma celebração da produção musical feita no estado.
Além dos dois palcos principais, samba, manguebeat, e outros ritmos elevaram a energia do Sensacional nas tendas espalhadas pelo Parque. A Outra Banda da Lua, Lamparina, Sotam, Cabra Guaraná, Samba da Aninha, Juventino Dias, Samba do Marmiteiro, Melô da Massa e Vai Sound System foram alguns dos artistas e projetos que ocuparam os demais espaços do festival.
Segundo dia com BaianaSystem e Gilberto Gil
Já no segundo dia de festival, duas grandes atrações deram o tom da despedida: BaianaSystem e Gilberto Gil. A banda de Salvador, referência do afro rock e conhecida pela mistura de ritmos afro-brasileiros, rock, reggae e música eletrônica, abriu a programação do dia e colocou o público para dançar.

No início da noite, coube a Gilberto Gil encerrar o festival. Ícone da MPB e um principais artistas da história da música brasileira, Gil subiu ao palco acompanhado de parte da família, que integra sua banda, para uma apresentação que reuniu grandes clássicos de sua trajetória.

Festa da Luz e Inhotim
A participação de dois dos grandes projetos de arte de Minas Gerais, o Inhotim e a Festa da Luz, embelezou o verde do local. O público acompanhou instalações artísticas, observaram infláveis monumentais gigantes e participaram de atividades educativas entre um show e outro.
Entre um show e outro, as pessoas puderam observar obras e infláveis monumentais espalhados pelo espaço e participar de atividades que aproximaram arte, educação e ocupação urbana.
Recorde de público
Criado em 2010, o Festival Sensacional! se consolidou como um dos principais eventos de música de Belo Horizonte e, desde 2022, é realizado no Parque Ecológico da Pampulha. Segundo a organização, a edição de 2026 bateu recorde de público, com 25 mil pessoas nos dois dias de festa.
Realizado pela Híbrido.cc, o evento contou com o patrocínio de Pierre, VIVO, Natura e Belotur. A Petra assinou como cerveja oficial e o Inhotim ofereceu apoio ao evento. Eletromidia e BandsInTown atuaram como parceiros de mídia da edição.
André Viana é jornalista, formado pela PUC-MG. Já trabalhou como redator e revisor de textos, produtor de pautas e conteúdos para rádio e TV, social media, além de uma temporada no marketing.
Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.
Lorena Vieira é estagiária do Portal Itatiaia e estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Com experiências diversas, já trabalhou como repórter, produtora e apresentadora de coluna semanal no programa Agenda, da Rede Minas. Além de outras experiências como social media e comunicação de projetos culturais.





