Festival Paredes Vivas encerra edição em BH com arte urbana e alerta ambiental
Com murais pintados a partir de resíduos de queimadas, projeto no Barreiro homenageia brigadistas e promove educação socioambiental

O Festival Paredes Vivas, que encerra suas atividades em Belo Horizonte nesta sexta-feira (17), utiliza uma matéria-prima simbólica e impactante para suas obras: tintas feitas com cinzas reais de incêndios florestais coletadas em diversos biomas brasileiros.
A principal intervenção desta edição, intitulada “Renascer das Cinzas”, estampa um prédio residencial na região do Barreiro. Criada pela artista Fênix, a obra retrata uma brigadista e uma mulher indígena segurando terra fértil e cinzas. Segundo a artista, a pintura é um manifesto sobre a resistência de quem enfrenta o fogo e a sabedoria ancestral de quem preserva o território.
O festival expandiu seu impacto para além dos grandes murais, levando conscientização para dentro da rede pública de ensino. A Escola Estadual Cecília Meireles se tornou polo de atividades socioambientais, recebendo o mural "Braços Erguidos", assinado pelo artista mineiro Marcos Asher, e oficinas educativas sob a condução da arte-educadora Zi Reis, onde estudantes participam de debates e sessões do curta-metragem "Cinzas da Floresta", que detalha a crise climática e o processo de criação do projeto.
A ciência por trás da arte
O processo de transformação dos resíduos em pigmento envolveu uma logística complexa iniciada ainda em 2024. Com o apoio da Rede Nacional de Brigadas Voluntárias (RNBV), cinzas de diferentes regiões do país foram coletadas, pesadas e peneiradas.
"As variações das cores das cinzas de cada bioma permitem aos artistas desenvolver diferentes tons. Quando misturadas à resina acrílica, elas se comportam como uma aquarela", explica a organização.
O documentário "Cinzas da Floresta", dirigido por André D'Elia, registra essa jornada e serviu de inspiração para o festival. O filme acompanha o artista Mundano em sua expedição por um Brasil em chamas, transformando a tragédia ambiental em ferramenta de denúncia visual.
Para Bea Mansano, coordenadora do festival, o objetivo principal é que a arte sirva como um catalisador para a mudança real. "Esperamos conseguir cada vez mais pessoas envolvidas nesse cuidado ambiental, para que um dia a gente não precise mais combater incêndios", afirma.
O Festival Paredes Vivas é uma realização da iniciativa Parede Viva, que desde 2010 utiliza o grafite e a arte urbana para promover reflexões sobre sustentabilidade e justiça social nos centros urbanos.
Giovanna Damião é jornalista da televisão, digital e do rádio. Desde 2020 como social media e redatora na televisão e, mais recentemente, atuando como apresentadora e repórter da editoria de cultura. Com versatilidade no jornalismo, caminha pela música, eventos, esportes e entretenimento.
