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Do 'fim do mundo' a Araxá: como Dr. Stone chegou a Minas e surpreendeu até dublador

Dublador de Senku, Felipe Grinnan falou à Itatiaia sobre a conexão inédita do anime com Minas Gerais e revelou bastidores da adaptação brasileira

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Última temporada de Dr. Stone desembarcou em Minas Gerais
Última temporada de Dr. Stone desembarcou em Minas Gerais • Divulgação/Crunchyroll

Quando Dr. Stone decidiu colocar o Brasil no centro de sua reta final, a escolha surpreendeu parte do público. Em vez de usar cenários mais óbvios para uma produção japonesa, como Amazônia ou o Rio de Janeiro, o anime levou o protagonista Senku Ishigami diretamente para o interior de Minas Gerais. Mais especificamente para Araxá.

A decisão, no entanto, não foi apenas estética. Dentro da lógica científica da obra, a cidade mineira foi peça-chave para a reconstrução tecnológica da humanidade.

A Itatiaia conversou com Felipe Grinnan, dublador do protagonista na versão em português, que revelou bastidores da obra e detalhes sobre a dublagem de Senku. Assista à entrevista na íntegra:

Sobre o que se trata Dr. Stone?

Baseado no mangá escrito por Riichiro Inagaki e ilustrado por Boichi, Dr. Stone acompanha um mundo pós-apocalíptico em que toda a humanidade foi petrificada por milhares de anos.

Após despertar, Senku usa ciência para reconstruir a civilização do zero, recriando eletricidade, remédios, meios de transporte e até comunicação moderna.

Na fase final da história, intitulada Science Future, a narrativa ganha escala global e passa pelo Brasil em busca de minerais necessários para projetos tecnológicos avançados. Dr. Stone tem quatro temporadas e está disponível na Crunchyroll.

Por que Araxá aparece em Dr. Stone?

A escolha da cidade mineira já havia sido antecipada no capítulo 183 do mangá, chamado “Diamantes são para a Eternidade”.

Na trama, Senku identifica Araxá como um ponto estratégico para obtenção de recursos essenciais ao avanço científico do “Reino da Ciência”. O grupo parte para Minas Gerais em busca de diamantes e minerais usados na criação de baterias e equipamentos de comunicação.

A explicação tem base real: Araxá possui uma das maiores reservas de nióbio do planeta - cerca de 80% de toda a produção mundial é oriunda da cidade -, além de grandes jazidas de fosfato.

Araxá, cidade em Minas Gerais •
Araxá, cidade em Minas Gerais •

Surpresa até para o dublador

A presença de Minas Gerais chamou atenção justamente por fugir do caminho mais previsível normalmente associado ao Brasil em produções internacionais. Foi algo que também surpreendeu Felipe Grinnan, dublador brasileiro de Senku.

“Quando vem para o Brasil você espera que seja Amazônia, Pantanal… Mas aí vem para Minas, e nem é Belo Horizonte, é Araxá. Eu achei muito legal”, disse.

Grinnan brincou ainda com um detalhe da passagem brasileira do anime: “Eu fiquei puto porque falei: ‘ele vai criar o pão de queijo’ e não criou.”

“A ciência como protagonista”

Lançado em anime em 2019 pelo estúdio TMS Entertainment, Dr. Stone se consolidou como uma das produções mais diferentes da última década justamente por trocar o foco tradicional dos shonens.

Enquanto grande parte dos animes do gênero aposta em batalhas e poderes, a obra coloca ciência, engenharia e lógica no centro da narrativa. Segundo Felipe Grinnan, esse diferencial foi o que o conquistou imediatamente.

Eu faço muitos animes com luta, gritaria, golpes… E eu tenho um pouco de preguiça disso. Quando veio Dr. Stone, me pegou de cara por ser diferente. Tem ação, mas tem muita parte mental, cerebral, explicação de ciência, compostos, elementos.

Felipe Grinnan, dublador do Senku

O dublador também destacou o equilíbrio entre inteligência e carisma do protagonista. “Ele é o mais inteligente da turma, mas consegue ter um charme nisso. Dá uma humilhada porque sabe mais que os outros, mas tem um gracejo, um jeito carismático", complementou.

Senku, protagonista de Dr. Stone • Divulgação/Netflix
Senku, protagonista de Dr. Stone • Divulgação/Netflix

O desafio de dublar Senku

A adaptação brasileira trouxe uma dificuldade incomum até para um profissional experiente. Com diálogos carregados de termos químicos e científicos, Grinnan precisou desenvolver um ritmo específico para interpretar o personagem.

“Na primeira temporada foi assustador. Eu não estava acostumado com o excesso de nomes difíceis e com a velocidade dele. Eu repetia várias vezes antes de gravar para as palavras escorrerem pela boca. Tinha que parecer que eu realmente sabia do que estava falando”, afirmou.

Hoje, ele afirma já ter encontrado completamente o tom do personagem: “Eu e ele temos uma simbiose agora. Já entendi o jeito dele.”

Reação inicial dos fãs

Grinnan revelou que sua escalação para viver Senku inicialmente gerou desconfiança entre parte da comunidade de anime.

Conhecido por outros trabalhos, incluindo o personagem Whis, de Dragon Ball Super, o ator ouviu questionamentos sobre sua capacidade de interpretar um protagonista com características tão diferentes. “Muita gente falou: ‘nada a ver’. Teve uma dúvida no começo”, revelou.

Com o passar dos episódios, a percepção mudou: “Eu entendi o espírito dele. Talvez a voz não fosse igual à original japonesa, mas peguei o jeito do personagem.”

Segundo o ator, atualmente a recepção é positiva e o anime criou uma base fiel de fãs no Brasil.

A relação pessoal com a ciência

Curiosamente, a conexão de Grinnan com Dr. Stone também passa pela infância. O dublador contou que costumava brincar com kits de química experimental quando era criança.

“Eu tinha laboratório de química. Tubo de ensaio, experiências, misturas… Eu adorava aquilo", contou.

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Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH. Já atuou em diversas áreas do jornalismo, como assessoria de imprensa, redação e comunicação interna. Apaixonado por esportes em geral e grande entusiasta de games.