Culinária e ancestralidade: livro resgata memórias e receitas de quilombo
Obra de Du Prazeres une contos e sabores tradicionais para exaltar a resistência afro-brasileira; título foi selecionado para o Kit Literário 2026 de BH

Para o escritor e professor Du Prazeres, a cozinha sempre foi um lugar de fala. Suas memórias de infância, construídas entre os aromas do fogão de sua avó Nair, no hoje extinto quilombo de Santo Antônio de Jacutinga (RJ), ganham agora as páginas de "Quilombo: contos e receitas". O livro, lançado pela editora Bambolê, utiliza a gastronomia como fio condutor para narrar a história e a identidade do povo preto.
Pós-doutor em Letras nascido na favela, Du Prazeres apresenta sete narrativas que conectam o leitor a figuras ancestrais e lideranças comunitárias. Cada conto é acompanhado por uma receita tradicional, como o Arroz de Yayá e a Broa de Fubá com melado, transformando o ato de cozinhar em um manifesto de afeto e resistência.
A relevância da obra para a formação da identidade brasileira já colhe frutos institucionais. O livro foi selecionado pela Prefeitura de Belo Horizonte para integrar o Kit Literário 2026, iniciativa que distribui obras literárias para estudantes da Rede Municipal de Educação, fortalecendo o debate sobre o antirracismo e a cultura quilombola nas salas de aula mineiras.
"Quis celebrar pessoas pelas suas trajetórias e pela importância que tiveram na concepção deste livro", explica o autor, que dedica capítulos a nomes como o ator Tony Tornado e o escritor Itamar Vieira Jr.
Com ilustrações de Bruno Andrade, que remetem aos cadernos de receitas de família, o livro de 96 páginas vai além do paladar. Ele resgata o papel dos griôs, guardiões da memória oral, e reflete sobre questões urgentes, como as violências causadas pela fome e a importância da coletividade à mesa.
Sobre o autor
Du Prazeres é pós-doutor em Letras, professor e defensor da educação pública. Com seis livros publicados, utiliza a literatura para dissecar o racismo cotidiano e celebrar a potência das vivências periféricas e ancestrais.
Giovanna Damião é jornalista da televisão, digital e do rádio. Desde 2020 como social media e redatora na televisão e, mais recentemente, atuando como apresentadora e repórter da editoria de cultura. Com versatilidade no jornalismo, caminha pela música, eventos, esportes e entretenimento.
