Beatles com a diversidade da música brasileira, diz Toninho Horta sobre Clube da Esquina
Ganhador do Grammy e integrante do famoso movimento musical mineiro, guitarrista relembra amizade com Milton Nascimento e celebra mostra gratuita de filmes sobre Bituca realizada no Cine Santa Tereza

“A relação minha com Bituca foi desde quando eu tinha 15 para 16 anos. Ele devia ter entre 21 e 22 anos. Foi apresentado pelo meu irmão Paulinho, que conheceu o Bituca na noite, tocando contrabaixo na banda do Marilton (Borges, irmão de Lô)”. O relato de Toninho Horta é simples e mostra como aquela apresentação era, de certa forma, despretensiosa. Aquele jovem nem imaginava que aquele encontro mudaria para sempre a sua vida e a de milhões de apaixonados pela música.
Guitarrista e compositor nascido em Belo Horizonte, Toninho Horta é um dos integrantes mais conhecidos do movimento Clube da Esquina. Junto com Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e outros, os amigos se uniram na produção do disco duplo “Clube da Esquina” (1972), apontado como um dos melhores álbuns da música brasileira e mundial.
Lançado há mais de 50 anos, o “Clube da Esquina” segue sendo redescoberto pelas novas gerações e se transformou numa espécie de “Santo Graal” da música brasileira. O “boom” (ou “hype”) que o disco teve recentemente não surpreende Toninho Horta, que conversou com a Itatiaia com exclusividade e deu detalhes de como ele enxerca a música deles.
O repertório é lindíssimo. As instrumentações são variadas de faixa para faixa e não se repete. Eu acho que o público entendeu e deu o valor, deu a ‘nota 10’ para esse trabalho que realmente mereceu, devido a dedicação de todos os músicos.
Amizade com Bituca
Depois daquele encontro despretensioso, nada foi como antes. Toninho participou de gravações e apresentações de artistas como Edu Lobo, Maria Bethânia, Nana Caymmi e Gal Costa. Virtuoso da guitarra, ele ‘desafiou a gravidade’, segundo o guitarrista estadunidense Pat Metheny (com quem gravou a clássica ‘Manuel, O Audaz’) e se tornou um ícone do instrumento no Brasil e no exterior. Em 2020, foi premiado com um Grammy Latino de Melhor Álbum de MPB com ‘Belo Horizonte’ (2020).
Mesmo voando tão alto, continuou se reencontrando no mundo musical com Bituca, que também alçou voos inimagináveis. Toninho Horta inclusive relembrou a famosa frase de Elis Regina, que disse que ‘se Deus cantasse, seria com a voz de Milton’.
Eu acho que sempre haverá um momento da gente relembrar o grupo…esse movimento que aconteceu de uma forma muito natural e que aconteceu devido à qualidade musical e poética das pessoas envolvidas. Dos compositores e dos intelectuais, vamos dizer assim, o pessoal que fazia as letras. Tudo isso baseado na nossa cultura mineira, de Belo Horizonte. Aquela coisa de tocar violão na rua e de jogar sinuca junto, beber uma cerveja junto, rir, chorar, sonhar junto.
Serviço
O quê? Mostra Universo Milton
Quando? De terça-feira (8) a domingo (13)
Onde? Cine Santa Tereza (Praça Duque de Caxias, bairro Santa Tereza, Belo Horizonte)
Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.



