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Bastidores da criação: os discursos que marcaram o lançamento do Festival Acessa BH 2026

Em coletiva de apresentação, organizadores, gestores e autoridades destacam diagnósticos neurodivergentes e fortalecimento de políticas públicas para a cultura DEF

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Coletiva de Imprensa - Festival Acessa BH 2026 • Giovanna Damião | Itatiaia

Por trás dos espetáculos, exibições e oficinas que ocuparão Belo Horizonte a partir de 4 de setembro, o Festival Acessa BH 2026 carrega uma densa rede de articulação humana, política e existencial. Durante o evento de lançamento, fundadores do projeto, gestores de espaços culturais e representantes do poder público compartilharam visões sobre os bastidores da produção e o impacto transformador da cultura DEF na sociedade.

As falas dos participantes reforçam que o festival não apenas oferece acessibilidade, mas constrói sua estética e sua gestão a partir da convivência direta com o protagonismo de pessoas com deficiência e neurodivergentes. Em um dos momentos mais emocionantes da apresentação, a idealizadora e curadora do festival, Lais Vitral, compartilhou como o trabalho contínuo com a equipe de consultores do evento provocou uma guinada em sua própria vida. A convivência diária com profissionais e especialistas com deficiência a levou a um processo de investigação pessoal que resultou no diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) com altas habilidades.

"É emocionante compartilhar isso pela primeira vez, pois, ao olhar para a minha trajetória, compreendo agora como essa neurodivergência moldou minha percepção de mundo," declarou Lais. "O convívio com nossos consultores trouxe uma transformação que transcendeu o âmbito profissional."

Lais também ressaltou a complexidade do ciclo de viabilização cultural no Brasil, destacando o suporte fundamental das leis de incentivo e das parcerias financeiras. Completando a perspectiva curatorial, o co-criador Daniel Vitral reforçou o movimento de expansão internacional e regional do Acessa BH. Ele destacou a continuidade das parcerias com as companhias britânicas DaDa e ZU-UK, além do novo convênio firmado com o Hub Cultural Porto Dragão, do Ceará.

A diretora executiva do Cine Theatro Brasil, Eliane Parreiras, enfatizou como o Acessa BH atua como um provocador de mudanças permanentes para além do período festivo. Segundo Eliane, o festival força o setor cultural público e privado a elevar o debate da acessibilidade para a pauta prioritária de gestão. Ela anunciou que, além de receber a programação do evento, o Cine Theatro Brasil realizará uma capacitação interna em conjunto com a equipe do Acessa BH para qualificar seus colaboradores: "Como a acessibilidade envolve desde ajustes simples de infraestrutura até questões complexas de curadoria, nosso desejo é que esta colaboração se torne contínua, estendendo-se para além do festival."

Já a Secretária Municipal de Cultura, Cida Falabella, sublinhou a importância histórica de Belo Horizonte ao dar voz à vanguarda da arte e cultura DEF no país. Falabella chamou atenção para a urgência de associar o debate cultural à economia do cuidado, acolhendo a realidade de mães atípicas que muitas vezes sobrecarregam-se no suporte isolado a filhos com deficiência. "Ao falarmos de cultura e arte DEF, é imperativo discutirmos a economia do cuidado. As mães atípicas estão na linha de frente e também precisam de suporte para que não adoeçam," alertou a secretária.

A gestora ressaltou ainda que a acessibilidade passará a integrar de maneira transversal todas as grandes ações culturais da capital como a disponibilização de abafadores de ruído e espaços de acolhimento na Virada Cultural, além do direcionamento de verbas da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) para adequação de teatros e centros culturais periféricos, citando o Teatro Raul Belém Machado.A secretária sintetizou o sentimento que sintetiza o espírito do festival em sua sexta edição: "O que mais me impressiona no Festival Acessa é a mudança de paradigma: não se faz nada para as pessoas com deficiência, mas sim com elas."

Serviço:

  • O quê: Festival Acessa BH 2026
  • Quando: 4 a 27 de setembro de 2026
  • Onde: Funarte MG, Centro Cultural Unimed-BH Minas, Cine Theatro Brasil, Memorial Minas Gerais Vale / Praça da Liberdade, Palácio das Artes, MM Gerdau e Teatro Raul Belém Machado.
  • Ingressos e inscrições: entrada gratuita para a maior parte das atrações (com retirada antecipada na Sympla ou bilheterias conforme o espaço). Programação completa e informações no site oficial.
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Giovanna Damião é jornalista da televisão, digital e do rádio. Desde 2020 como social media e redatora na televisão e, mais recentemente, atuando como apresentadora e repórter da editoria de cultura. Com versatilidade no jornalismo, caminha pela música, eventos, esportes e entretenimento.

 

 

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