Belo Horizonte
Itatiaia

Nath Fiuza | Estevão fora da Copa: perde Ancelotti, perde o Brasil, perde o espetáculo

Jovem jogador do Chelsea ficou de fora em função de uma grave lesão muscular

Por
Coluna da Nath Fiuza
Coluna da Nath Fiuza • Itatiaia

Carlo Ancelotti já enviou à Fifa a lista com os 55 jogadores pré-selecionados para a Copa do Mundo. Embora a relação não tenha sido divulgada oficialmente, alguns nomes já vazaram na imprensa nas últimas horas. Neymar, Pedro, Matheus Pereira, Kaio Jorge e Gérson — jogadores que tiveram pouca ou nenhuma oportunidade com o treinador italiano — aparecem entre os escolhidos, aumentando a expectativa para a convocação final da próxima semana.

Mas hoje não quero falar sobre quem ainda sonha em disputar o Mundial. Quero falar — e lamentar — aqueles que definitivamente ficaram pelo caminho. Entre eles, Estevão.

O atacante do Chelsea corria contra o tempo para se recuperar de uma grave lesão muscular, mas sua ausência na pré-lista sacramenta aquilo que ninguém queria admitir: o Brasil irá para a Copa sem um de seus jogadores mais decisivos. E isso pesa. Pesa muito.

Aliás, a própria pré-lista escancara uma realidade preocupante: a Seleção chegará ao Mundial enfraquecida. Militão, Rodrygo e Estevão — três titulares — estão fora. Não são apenas nomes. São atletas versáteis, decisivos em suas respectivas posições, e capazes de mudar jogos em diferentes contextos.

No caso de Militão, a perda talvez seja a mais difícil de reparar. Ancelotti enxergava no defensor muito mais do que um zagueiro. Era uma peça estratégica para sustentar o lado direito, equilibrar a equipe sem a bola e dar liberdade ao sistema ofensivo. Seja quem for o substituto, o nível técnico inevitavelmente cai.

Mas a ausência de Estevão mexe de uma maneira diferente. Talvez porque ela atinja justamente aquilo que o futebol brasileiro mais tem lutado para recuperar: o encanto.

É verdade que o Brasil continua recheado de bons atacantes. Raphinha e Luiz Henrique, por exemplo, vivem ótimos momentos e entregam qualidade, velocidade e drible pelo lado direito. Ainda assim, perder Estevão significa não ter um jogador raro. Daqueles que aceleram o jogo, quebram linhas, chamam responsabilidade e transformam partidas.

Os números ajudam a explicar isso. Desde a chegada de Ancelotti, Estevão se tornou o artilheiro da Seleção, com cinco gols em sete jogos. Também liderou a equipe em finalizações e cruzamentos certos, participando não apenas da conclusão, mas da construção das jogadas ofensivas.

Mais impressionante que os números, porém, foi a personalidade. Aos 18 anos, Estevão não sentiu o peso da camisa da Seleção. Pelo contrário: pareceu crescer dentro dela. Em um futebol cada vez mais pragmático e previsível, o garoto oferecia improviso, coragem e criatividade.

A Copa seguirá sem ele. Mas será impossível não imaginar o que poderia ter sido com Estevão em campo. Toda sorte ao atacante, que ele se recupere o mais breve possível. Ainda bem que 2030 é logo ali!

Por

Nathália Fiuza é comentarista da Rádio Itatiaia e escreve diariamente aqui.

Acompanhe Esportes nas Redes Sociais