Nath Fiuza | Copa do Brasil: no duelo das estratégias, Atlético executou melhor o plano
Rivais mineiros empataram primeiro confronto das quartas de final da Copa do Brasil

Antes mesmo de a bola rolar no Mineirão, já era possível projetar um clássico equilibrado. Cruzeiro e Atlético vivem bons momentos na temporada, e os trabalhos de Arthur Jorge e Eduardo Domínguez estão cada vez mais consolidados. O empate por 1 a 1, portanto, foi justo e mantém o confronto completamente aberto para a próxima semana, na Arena MRV, valendo vaga nas semifinais da Copa do Brasil.
Também estava claro que teríamos um duelo de opostos. Cruzeiro e Atlético têm maneiras diferentes de jogar e trunfos distintos para buscar o resultado.
O Galo de Eduardo Domínguez se defende bem, bloqueia espaços e tem no contra-ataque uma de suas principais armas, especialmente com Cuello e Renan Lodi. O Cruzeiro de Arthur Jorge, por outro lado, aposta mais na qualidade individual, gosta de ocupar o campo de ataque, ter a bola e pressionar o adversário.
No Mineirão, os planos estavam desenhados. Como mandante, o Cruzeiro precisava assumir o protagonismo e construir uma vantagem. Ao Atlético, cabia resistir à pressão, dificultar a construção celeste e manter o confronto vivo para a decisão em casa.
E, nesse duelo de estratégias, o Atlético executou melhor o seu plano.
No primeiro tempo, o Galo bloqueou as principais ações do Cruzeiro, ganhou disputas no meio-campo e praticamente tirou Matheus Pereira e Gérson do jogo. Cuello se desdobrou na recomposição, enquanto Fred fazia o vaivém entre a marcação e a criação. O Cruzeiro não precisou se defender muito, mas também não conseguiu ser dominante.
Como já havia acontecido contra o Flamengo, pela Libertadores, o Cruzeiro voltou do intervalo com outra postura. Passou a circular a bola com mais velocidade, provocou erros na marcação atleticana e encontrou MP10 com mais liberdade. Foi justamente de Matheus Pereira o passe para Arroyo, que marcou mais um golaço.
Com a vantagem, o Cruzeiro teve seus melhores momentos no jogo. Pressionou, criou oportunidades e teve chances para ampliar, mas faltou poder de decisão.
O Atlético não demorou a responder. Renan Lodi empatou em uma falha dupla de marcação do Cruzeiro. E fica novamente a sensação de um problema recorrente: o time celeste abre o placar em um mata-mata, mas não consegue transformar a vantagem em controle suficiente para encaminhar o confronto.
O 1 a 1 não traduz uma superioridade absoluta de nenhum dos lados. Mas, quando se deixa o placar de lado e se observa a execução dos planos, o Atlético foi mais eficiente.
O Galo fez exatamente o que precisava: defendeu bem, tirou espaços, dificultou a criação do Cruzeiro e, quando teve uma grande oportunidade, aproveitou. Sai do Mineirão sem derrota e leva a decisão para casa, diante da própria torcida, transferindo parte da pressão para o adversário.
O confronto, evidentemente, continua aberto. E o segundo jogo pode apresentar um cenário bem diferente. Na Arena MRV, o Atlético provavelmente terá uma postura mais ofensiva, empurrado pelo seu torcedor e pela necessidade de buscar a classificação. Isso também pode oferecer ao Cruzeiro os espaços que tanto gosta para explorar as transições rápidas. O próximo jogo também promete!
Nathália Fiuza é comentarista da Rádio Itatiaia e escreve diariamente aqui.



