Que mar é esse?
Ano passado num estudo estimou que o lixo plástico no oceano some 170 trilhões de partículas

Nas semanas anteriores saiu em vários jornais que o Brasil despeja 1,3 milhão de toneladas de plástico nos mares, o que representaria 8% da poluição global. Segundo a Organização das Nações Unidas, a ONU a poluição por plásticos é a segunda maior ameaça depois da emergência climática.
Ano passado num estudo produzido por uma organização sem fins lucrativos que investiga as principais questões mundiais sobre a poluição plástica, estima que o lixo plástico no oceano some 170 trilhões de partículas, o que significaria uma massa total de 2,3 milhões de toneladas de plásticos nos mares do mundo.
O plástico surgiu no final do século XIX e ganhou força ao longo do século XX, revolucionando a indústria e o cotidiano. A história do plástico é marcada pela busca por materiais sintéticos que pudessem substituir recursos naturais escassos e oferecer novas funcionalidades.
Infelizmente, muitos destes produtos são descartados incorretamente e vão para ao rios e de lá para o mar. Pela exposição ao sol, a radiação UV pode quebrar ligações químicas, acelerando a fragmentação. No entanto, a degradação é superficial e não reduz o plástico a elementos naturais.
Durante sua lenta decomposição, muitos plásticos se fragmentam em partículas menores, chamadas microplásticos, que não se decompõem totalmente e continuam acumulados no ambiente.
Num estudo recente, realizado pela Universidade Federal do Pará (UFPA) foram encontrados, em média, seis pedaços de plástico dentro do corpo de 98% dos peixes coletados por um grupo de pesquisadores em nascentes e riachos da Amazônia.
Os pesquisadores afirmam que a ingestão de plástico pode provocar mortandade desses peixes ou afetar a reprodução deles e levar ao desequilíbrio da cadeia alimentar; ou mesmo que esse material sintético pode, em última análise, parar no corpo humano.
A durabilidade do plástico é um desafio para a sustentabilidade e a gestão de resíduos, impulsionando a necessidade de reduzir o uso de plásticos descartáveis e melhorar os sistemas de reciclagem e gestão de resíduos.
Urge tratar dessa questão com mais rigor, colocando a educação ambiental como prioridade, elaborando leis que obriguem os fabricantes a produzirem plásticos biodegradáveis, fazer mais campanhas sobre a reciclagem desses produtos. Além de realizar a logística reversa, que é uma estratégia essencial para a sustentabilidade. Consistindo em organizar o retorno de produtos e resíduos pós-consumo ao ciclo produtivo, com o objetivo de reduzir o descarte inadequado e promover a reutilização e reciclagem.
Cristiana Nepomuceno é bióloga, advogada, pós-graduada em Gestão Pública, mestre em Direito Ambiental. É autora e organizadora de livros e artigos.



