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Brasil entra em ciclo histórico de fomento: R$ 300 bi para impulsionar inovação corporativa

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Janayna Bhering, diretora de Fomento à Inovação, do Órbi ICT • Camila Rocha

O ecossistema de inovação brasileiro testemunha o que especialistas já classificam como o maior ciclo de fomento da história do país. Com a implementação do programa federal Nova Indústria Brasil (NIB), os investimentos podem atingir uma soma de R$ 300 bilhões nos próximos anos, distribuídos em financiamentos, recursos não reembolsáveis e participações acionárias. O cenário foi o tema central da palestra "Do Zero ao Bilhão", ministrada por Janayna Bhering, diretora de Fomento à Inovação do Órbi ICT, na abertura do evento Órbi de Portas Abertas.

Para as grandes empresas, o momento não é apenas de oportunidade, mas de sobrevivência competitiva. "Inovação, mais do que uma ideia, tem que gerar impacto real e trazer soluções para problemas que de fato vão mudar a vida das pessoas", afirmou Bhering durante sua apresentação no Órbi ICT. Segundo a especialista, o foco atual da política industrial brasileira é o desenvolvimento de tecnologias próprias que possam agregar valor direto aos produtos e serviços nacionais.

O mapa do capital: subvenção e crédito subsidiado

Um dos pontos de maior relevância para o setor corporativo detalhados na palestra foi a distinção entre os instrumentos de apoio financeiro. Janayna destacou que o volume de recursos disponíveis ultrapassa R$ 3 bilhões apenas em editais recentes da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O destaque fica para a subvenção econômica, o modelo de fomento onde o Estado compartilha o risco tecnológico com a iniciativa privada. "Trata-se de um dos mecanismos mais estratégicos de fomento, pois reconhece que o desenvolvimento de soluções disruptivas envolve incertezas. Nessa modalidade, os recursos não são reembolsáveis, desde que gerem impacto relevante na produtividade e competitividade do país.", explicou a diretora.

Já para projetos de menor risco ou expansão, os recursos reembolsáveis surgem como alternativa superior ao mercado financeiro comum. Com taxas vinculadas subsidiadase carência de até três anos, as condições são mais acessíveis do que as praticadas por bancos tradicionais.

Evento no Órbi Conecta • Camila Rocha
Evento no Órbi Conecta • Camila Rocha

Critérios de sucesso: o que as agências buscam?

Acessar essas cifras, porém, exige rigor técnico e alinhamento estratégico. Bhering, que acumula 25 anos de experiência em projetos de inovação tecnológica, pontuou que o conceito de  inovação para os órgãos de fomento segue manuais internacionais, como o de Oslo e Frascati. Para ser aprovado, um projeto precisa demonstrar:

  • Novidade e diferencial: não é necessário inventar algo inédito no mundo. Uma melhoria significativa que traga competitividade frente ao concorrente já caracteriza inovação;
  • Risco tecnológico e de mercado: a incerteza sobre o sucesso da solução e o desafio de validação comercial são justificativas para o apoio governamental;
  • Impacto mensurável: é obrigatório quantificar os ganhos ambientais, econômicos e sociais que a solução trará para a população e para a cadeia produtiva;
  • TRL (Technology Readiness Level): as empresas precisam identificar em qual nível de maturidade a tecnologia se encontra e demonstrar o avanço que ocorrerá durante a execução do projeto.

Alianças com ICTs e a 'Lei do Bem'

Para as grandes indústrias, a palestra trouxe um alerta sobre a importância da colaboração. Atualmente, a maior parte da inovação no Brasil ainda nasce dentro das universidades e Instituições de Ciência e Tecnologia, ICTs. Por isso, editais modernos bonificam empresas que possuem acordos de cooperação com esses centros de pesquisa para co-desenvolimento de soluções e transferência de know-how.

Além do fomento direto, o incentivo fiscal via "Lei do Bem" (Lei 11.196/05) foi citado como uma ferramenta subutilizada por grandes corporações. Empresas no regime de Lucro Real podem deduzir seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento da base de cálculo do Imposto de Renda, o que pode representar uma economia real de 20% a 34% no custo dos projetos.

Porém, Janayna alertou que "tomar água com muita sede em uma mangueira de bombeiro pode ser fatal”. Isso significa que receber um volume de recurso sem ter uma equipe preparada para a execução e prestação de contas pode gerar dívidas e problemas jurídicos para a organização.

O Órbi ICT posiciona-se como o parceiro estratégico para essa jornada, oferecendo desde o diagnóstico do projeto e mapeamento de editais até o acompanhamento integral da execução e prestação de contas. "O que fazemos não é apenas preencher formulários, mas ajudar a empresa a tomar uma decisão estratégica que acelere seu crescimento", concluiu a diretora.

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O Órbi ICT é um hub de soluções tecnológicas, educação e impacto social fundado em Belo Horizonte por Inter, MRV&Co e Localiza&Co e mantém uma coluna publicada semanalmente às terças-feiras no portal da Itatiaia.