O objetivo de Lula na construção da agenda internacional
Presidente segue cartilha própria e, como no sindicalismo, foca na ascenção de países do sul global

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está na Assembleia Geral da ONU com uma missão específica que é reforçar o discurso de reforma da governança global em instituições multilateriais e pressionar os países ricos para cumprirem metas climáticas e de combate a pobreza.
Estratégia geral
A estratégia utilizada por Lula na ONU segue as mesmas diretrizes para toda a agenda internacional. O presidente aborda basicamente três eixos que são os principais do G20: ampliar a participação dos países do sul global nos espaços intenacionais de poder, além de eliminar a miséria e conter as mudanças do clima, fazendo transição energetica.
Para todos esses problemas globais o governo brasileiro não apenas tem alvos de critica, mas também se coloca como protagonista nas soluções. E essa é a grande sacada de Lula.
Provocação
Em seu primeiro discurso nessa missão, ontem (22), dentro da sede das Nações Unidas, Lula cobrou coragem da ONU para fazer as mudanças e permitir que países menos desenvolvidos tenham mais espaço. Nessa mesma esteira, ele próprio foi a pessoa que criticou e afrontou a Organização das Nações Unidas dentro da própria casa dizendo que a Assembleia Geral 'perdeu a vitalidade'.
Para a transição enérgetica, o Brasil também já assumiu uma posição de front. Internacionalmente, o país lidera a Aliança Global para Biocombustíveis e Eólicas Offshore. Com 50% de energia renovável, o Brasil é referência mundial e lidera o Grupo de Trabalho de Transições Energéticas do G20.
Para o combate à miséria, o Brasil, que até novembro está na presidência rotativa do G20, vai lançar a Aliança Global de Combate à Fome e à pobreza, que começa dentro do bloco e, a partir do fim do ano ficará independente, funcionando como se fosse um "tinder social", unindo países que precisam de financiamento com países que querem fazer o investimento.
Desta forma, o governo brasileiro vai evidenciando os problemas globais e tentando ser o protagonista na mobilização de soluções. Um modus operandi Lula de fazer política internacional que faz com que ele seja visto como destaque entre outras lideranças.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.



