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Quais são as possíveis consequências do pedido de prorrogação das eleições cogitado por Lula?

Presidente afirmou que, se eleitores forem prejudicados pela redução da frota do transporte coletivo, a campanha vai recorrer ao TSE

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Lula fez comunicado e pediu para TSE estender votação em cidades com problemas no transporte público
Lula fez comunicado e pediu para TSE estender votação em cidades com problemas no transporte público • CNN

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, neste domingo (25), durante entrevista coletiva em São Paulo, a ampliação do horário de votação nos municípios onde problemas no transporte público teriam prejudicado o deslocamento dos eleitores. Inicialmente, a campanha petista acionou a Justiça Eleitoral por dificuldades registradas em São Paulo, Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas.

Às 15h42, um novo pedido encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ampliou a solicitação de votação até as 19h para municípios de outros nove estados: Piauí, Paraíba, Paraná, Pará, Rio de Janeiro, Alagoas, Pernambuco, Roraima e São Paulo, além da Bahia. A campanha também passou a defender a extensão do horário em todo o país. Lula classificou a situação como "banditismo", criticou prefeitos, governadores e empresários e pediu aos eleitores que não desistissem de votar.

Eleitorado petista

No primeiro turno das eleições presidenciais deste ano, Lula foi o candidato mais votado nos quatro municípios onde a campanha aponta problemas no transporte público. Na capital paulista, recebeu 46,58% dos votos válidos, contra 42,13% de Flávio Bolsonaro (PL). Em Salvador, obteve 65,26%, ante 27,03% do adversário.

Em Feira de Santana, o petista alcançou 57,13%, contra 35,80% de Flávio. Já em Lauro de Freitas, Lula recebeu 59,06% dos votos válidos, enquanto o candidato do PL conquistou 33,07%. Os resultados mostram que as quatro cidades representam bases eleitorais importantes para o presidente, embora os números do primeiro turno não permitam determinar quais candidatos seriam mais prejudicados por eventuais dificuldades de deslocamento neste domingo.

O pedido de prorrogação pode produzir consequências jurídicas e políticas distintas. No campo eleitoral, caberá à Justiça avaliar se as dificuldades de transporte justificam uma medida excepcional, considerando a extensão dos problemas, as provas apresentadas e a necessidade de preservar a igualdade de condições entre os eleitores. A eventual ampliação do horário de votação não significa, por si só, questionamento da legitimidade da eleição ou de seu resultado.

Repercussão internacional

Mesmo que não produza efeitos práticos durante a votação, a iniciativa pode ganhar repercussão internacional. Uma das possibilidades é que o governo dos Estados Unidos, por exemplo, utilize as denúncias de dificuldades de acesso às urnas para retomar questionamentos sobre o processo eleitoral brasileiro. A hipótese ganha relevância porque a administração de Donald Trump já incluiu exigências relacionadas às eleições de 2026 nas negociações comerciais com o Brasil.

Em outubro de 2025, durante as negociações para a revisão das tarifas de 50% impostas aos produtos brasileiros, o governo americano apresentou uma minuta com 21 exigências. Uma delas previa o compromisso de realização de eleições presidenciais livres e justas, sem restrições arbitrárias à participação de dissidentes políticos. A referência foi interpretada por integrantes do governo brasileiro como uma pressão a favor de aliados de Jair Bolsonaro. O documento foi considerado inaceitável pelo chanceler Mauro Vieira e não foi incorporado a um acordo entre os dois países.

A depender do resultado das urnas e da reação dos candidatos, uma eventual manifestação americana poderia acrescentar uma dimensão diplomática à controvérsia eleitoral. Caso Lula seja derrotado, o pedido de ampliação do horário de votação poderia ser explorado politicamente como sinal de contestação do processo, embora a reivindicação apresentada durante a votação não represente, por si só, recusa em reconhecer o resultado. Se houver qualquer posicionamento por parte do governo dos Estados Unidos, Lula poderá recorrer ao próprio argumento americano de evitar restrições à participação eleitoral para questionar as prefeituras acusadas por ele de dificultar o deslocamento de eleitores às urnas.

Posição do TSE

O pedido de prorrogação chegou ao Tribunal Superior Eleitoral e foi encaminhado pelo corregedor-geral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, ao presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, que deverá avaliar a solicitação. Cueva considerou graves as denúncias de dificuldades no transporte de eleitores e solicitou informações atualizadas ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia.

Nunes Marques afirmou que a Corte recebe relatórios periódicos do tribunal baiano, que realiza diligências para verificar a dimensão dos problemas. Questionado sobre a possibilidade de estender a votação, o presidente do TSE não descartou a medida, mas evitou antecipar uma decisão. Segundo ele, a demanda será analisada "a seu tempo". Até o momento da declaração, não havia autorização para ampliar o horário de votação.

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Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.

 

 

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