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O voto de Flávio Bolsonaro pelo fim da 6x1: Jogada de mestre ou tiro no pé?

Aliados de Lula e Bolsonaro se dividem sobre decisão do senador de votar favoravelmente ao fim da escala 6x1

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Flávio Bolsonaro (PL) em visita ao pai nesta terça-feira (13)
Flávio Bolsonaro (PL) em visita ao pai nesta terça-feira (13) • EVARISTO SA / AFP

A decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, de votar a favor do fim da escala 6x1 é vista por parte dos aliados como uma jogada de mestre, já que permite ao presidenciável esvaziar uma das principais bandeiras de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A avaliação é de que o movimento foi o mais assertivo, uma vez que a alternativa seria permanecer na defensiva, sob pressão da base governista. No entanto, alguns correligionários consideram a estratégia arriscada, considerando que a eventual aprovação da proposta também representaria uma vitória política de Lula.

Divisão de protagonismo

Entre os petistas, as avaliações também são divergentes. Enquanto uma ala considera que o apoio de Flávio demonstra a força da pauta defendida pelo governo, outra teme que o senador consiga retirar de Lula o protagonismo sobre o tema.

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG), por exemplo, considera oportunista a mudança de posição do presidenciável e o acusa de estelionato eleitoral. O parlamentar também teme que o PL tente flexibilizar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) depois das eleições.

O que gerou a mudança?

O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho (Republicanos), teve papel importante na mudança de posição de Flávio. Foi em entrevista à Itatiaia, na última sexta-feira (9), que o mineiro afirmou ter convencido o presidenciável a votar favoravelmente ao fim da escala 6x1.

A atuação de Cleitinho despertou reações na esquerda. Inicialmente, houve quem avaliasse que a insistência do governador eleito em defender uma bandeira de Lula poderia favorecer o petista no segundo turno. Nas redes sociais, internautas chegaram a produzir memes associando Cleitinho à esquerda. O mineiro rebateu as críticas, afirmou que não é petista e defendeu que o interesse dos trabalhadores deve estar acima das disputas partidárias.

Rota alternativa

Com a manifestação de Flávio, no entanto, a leitura política ganhou novos contornos. Para aliados do presidenciável, Cleitinho ajudou a construir uma saída para uma situação considerada delicada pela campanha, permitindo que o candidato do PL apoie a redução da jornada sem entregar a Lula a exclusividade do discurso em defesa dos trabalhadores. Já entre governistas, a avaliação é de que a pressão exercida até mesmo por aliados de Flávio demonstra a força da proposta e reforça o protagonismo do governo na discussão.

Próximo passo

Há ainda uma diferença que pode pesar nas avaliações sobre o resultado da votação. Embora tenha anunciado apoio ao fim da escala 6x1, Flávio defende maior flexibilidade nas relações de trabalho, com possibilidade de negociação entre empregados e empregadores. Para os petistas, essa posição abre espaço para questionar o alcance do compromisso assumido pelo senador.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

 

 

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