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Decoreba, nove dedos, checagem no Google e desafio: o debate entre Lula e Flávio além das propostas

Na Globo, presidenciáveis ampliaram espaço para propostas, mas mantiveram ataques pessoais no último confronto antes do segundo turno

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Lula e Flávio debateram na sexta-feira (23) na Globo e voltam a se enfrentar nas urnas, no domingo (25)
Lula e Flávio debateram na sexta-feira (23) na Globo e voltam a se enfrentar nas urnas, no domingo (25) • Reprodução/Globo

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) recalcularam a rota após o confronto anterior e deram mais espaço às propostas no debate da Rede Globo, nesta sexta-feira (23). O senador explorou o custo de vida e o endividamento das famílias, enquanto o presidente contrapôs as entregas de seus governos às promessas do adversário. A apresentação de projetos, no entanto, não impediu a troca de provocações.

Decoreba

Preparado para o debate pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Flávio apresentou números e projetos de infraestrutura. Lula ironizou o senador, comparando-o a um estudante que decora o conteúdo, mas não aprende. O petista citou obras de seus governos para reforçar a diferença entre prometer e executar. Também chamou Flávio de “menino”, provocando uma reação do adversário, que o acusou de preconceito contra os jovens.

Nove dedos

Ao criticar os impostos, Flávio afirmou que Lula dava com uma mão e tirava com nove dedos. O presidente reagiu lembrando que perdeu um dedo em um acidente de trabalho, aos 17 anos, quando precisava trabalhar para comer. Contrapôs sua origem operária à condição social do adversário, que acabou pedindo desculpas.

Google

Sem a checagem em tempo real defendida por aliados, Lula pediu aos eleitores que pesquisassem no Google os resultados de seus governos e as declarações de Flávio. O senador também incentivou consultas, mas depois ironizou a insistência do petista, questionando se quem governava o Brasil era Lula ou o Google.
Propostas

Na economia, Flávio apresentou o Banco da Prosperidade para renegociar dívidas e defendeu medidas de estímulo à produção e aos investimentos. Lula disse que os governos petistas foram os únicos que garantiram valorização real do salário mínimo, citou os programas de combate à fome e disse que Flávio copiou a proposta dele comprar débitos da população. Na educação, Flávio propôs ampliar o ensino integral e técnico, com formação em tecnologia e inteligência artificial. Lula defendeu a continuidade da expansão de universidades e institutos federais e afirmou que o PT foi o governo que mais criou unidades de ensino superior.

Na segurança pública, Flávio defendeu redução da maioridade penal e maior rigor contra facções e ladrões de celular. Lula destacou a atuação federal no combate ao crime organizado e a necessidade de responsabilização de agentes envolvidos em abusos.

Pontos de desgaste

Lula explorou o voto de Flávio contra a ampliação da licença-maternidade de servidoras estaduais, posição que o senador reconheceu e disse lamentar. Também levantou suspeitas sobre a negociação da vacina Covaxin durante o governo Bolsonaro e questionou a atuação do adversário como advogado em um caso de morte durante ação policial. Flávio, por sua vez, explorou o custo de vida, a segurança pública e episódios envolvendo Roberta Luchsinger, o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, e investigações da Lava-Jato.

A disputa patrimonial também voltou ao debate. Lula renovou o desafio para que ambos abrissem os sigilos bancários, neste sábado, e questionou a compra de uma mansão de “R$ 10 milhões” por Flávio. O senador contra-atacou com referências ao empresário Daniel Vorcaro, a um uísque de R$ 500 mil que teria sido destinado ao presidente e ao sítio de Atibaia. As acusações não foram esclarecidas durante o confronto.

Flávio apostou na insatisfação com o presente. Lula, na experiência e nas realizações de seus governos. Do debate da Band para o debate da Globo, em uma semana, as propostas ganharam espaço, mas a disputa pelo desgaste do adversário continuou no centro do debate.

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Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.

 

 

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