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Cleitinho e Lula ainda não se falaram depois do 2º turno

Governador eleito de MG não se pronunciou sobre o resultado da eleição presidencial

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Senador Cleitinho (Republicanos-MG) em discurso à tribuna.
Senador Cleitinho (Republicanos-MG) em discurso à tribuna. • Ton Molina/Agência Senado

O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho (Republicanos), ainda não conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após o segundo turno das eleições. O senador declarou voto em Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno e participou da campanha do candidato no segundo. Apesar do posicionamento político, Cleitinho havia afirmado que procuraria o presidente eleito, independentemente de quem vencesse a disputa. Segundo interlocutores, neste momento, o parlamentar optou pelo silêncio, inclusive em respeito aos próprios aliados, que ainda assimilam a derrota.

Diálogo

A promessa de diálogo com o futuro presidente foi feita durante a campanha, quando Cleitinho sinalizou que as divergências eleitorais não deveriam interferir na relação institucional entre o governo de Minas Gerais e o Palácio do Planalto. “Quem ganhar amanhã eu vou procurar. Por mais que eu apoie o Flávio, eu tenho obrigação de fazer isso como um governador de Minas Gerais. Tive voto tanto da esquerda quanto da direita”, afirmou durante a corrida eleitoral.
Clima de tristeza

No momento, o clima entre aliados de Flávio Bolsonaro é de tristeza e revolta com o resultado das urnas. A derrota frustrou a expectativa de integrantes do PL que apostavam na força eleitoral da direita em Minas Gerais para garantir uma vantagem capaz de compensar o desempenho de Lula em outras regiões do país. O estado, segundo maior colégio eleitoral brasileiro, era considerado estratégico para a vitória do senador.

Tensão

A tensão também é alimentada pela contestação do resultado eleitoral. Flávio Bolsonaro não reconhece a vitória de Lula e pretende buscar na Justiça Eleitoral a cassação do adversário. A iniciativa amplia o ambiente de confronto político e coloca aliados do senador diante do dilema entre manter o discurso de contestação e iniciar uma aproximação institucional com o governo reeleito.

Apesar do apoio de Cleitinho e de Nikolas Ferreira (PL), deputado federal mais votado do Brasil, Flávio Bolsonaro não conseguiu preservar a vantagem obtida sobre Lula em Minas Gerais no primeiro turno. Na primeira etapa da disputa, o senador recebeu 5.777.548 votos, contra 5.188.936 de Lula, uma diferença de 588.612 votos. No segundo turno, o petista reverteu o resultado e venceu no estado com 6.351.099 votos (50,43%), contra 6.241.786 (49,57%) de Flávio, uma vantagem de 109.313 votos. A virada representou uma mudança de quase 698 mil votos na diferença entre os candidatos e enfraqueceu uma das principais apostas da campanha bolsonarista: transformar a força eleitoral de Nikolas e a vitória de Cleitinho em votos suficientes para garantir o triunfo presidencial.

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Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.

 

 

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