Polarização pode mascarar resultados de pesquisas e gerar surpresa nas urnas
Além da direita envergonhada, medo do antipetismo inibem declaração de voto do eleitor

A polarização que anima muitos eleitores a exporem suas opiniões também é um fenômeno que inibe aqueles que têm medo de críticas. Em 2018, a chamada direita envergonhada - termo muito usado na ciência política para identificar o eleitor de direita que temia ser relacionado aos horrores da ditadura militar - fez com que as pesquisas subestimaram o potencial de votos de Jair Bolsonaro (PL), que venceu as eleições.
O antipetismo também pode cumprir o mesmo papel. Eleitores do Partido dos Trabalhadores muitas vezes omitem suas opiniões por temerem críticas e um linchamento digital, no entanto, ao irem as urnas expressam seus ideais.
As urnas registram ainda o movimento do eleitor cansado da política, esse grupo está entre os que não comparecem para votar. Esse desencanto gera apatia, repulsa aos candidatos e decisão deliberada de não votar. Em 2022, a abstenção representou 20% do eleitorado, ou seja, cerca de 32 milhões de eleitores. Além do desencanto com a política, também são componentes da abstenção: estar fora do domicílio eleitoral, problemas de saúde ou impossibilidade física e dificuldades de transporte e deslocamento e decisão política deliberada de não votar.
Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.



