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Sarampo: doença é 12 vezes mais contagiosa que gripe, mas tem prevenção

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Pessoa com alergia e manchas vermelhas na pele
Organização Mundial da Saúde divulgou alerta para aumento de casos de sarampo em vários países • Freepik

O sarampo é 12 vezes mais contagioso que a gripe (influenza). O vírus se espalha facilmente pelo ar, ficando até 2 horas nesse ambiente. Um único indivíduo doente pode infectar 9 de 10 pessoas próximas não vacinadas.

Por esse motivo, a doença é alvo de preocupações para as autoridades de saúde brasileiras. Além de ser extremamente contagiosa, possui um alto potencial de gravidade e é considerada eliminada do país, desde 2024, através de certificação da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Como desconfiar de um caso suspeito?

Os principais sintomas são: febre, tosse seca, coriza, olhos avermelhados e manchas vermelhas na pele. Também podem surgir pequenas lesões brancas na boca, chamadas Koplik.

As manchas vermelhas e planas iniciam-se na face ou atrás das orelhas e se espalham para as extremidades e para baixo, atingindo pescoço, tronco, braços e pernas.

Os sinais aparecem cerca de 10 a 14 dias após o contato com uma pessoa doente.

Qual a forma de contágio?

A exposição se dá pelo ar, por tosse, espirro, fala ou respiração. A transmissão tem início cerca de 6 dias antes do surgimento das manchas vermelhas (exantema) e dura mais 4 dias.

Sinais de alerta

  • A persistência da febre, após o surgimento das manchas, é um sinal de que a doença pode se agravar;
  • Febre muito alta, acima de 39,5;
  • Dificuldade para respirar;
  • Confusão mental ou sonolência excessiva;
  • Convulsões.

Possíveis complicações

Além de ser bastante sintomática, a doença pode se agravar, provocando pneumonia, diarreia grave, infecções de ouvido, cegueira e encefalite (inflamação do cérebro).

Outra questão é que esse vírus pode comprometer a defesa imunológica por meses a anos, tornando o doente suscetível a outras infecções futuras.

Em crianças pequenas, sobretudo as desnutridas ou imunocomprometidas, o risco de morte pode chegar a 10%, em localidades onde há baixa cobertura vacinal.

Vacinação: prevenção efetiva

Deve-se tomar duas doses do imunizante tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) na infância: a primeira, aos 12 meses, e a segunda, aos 15 meses. Adultos até 29 anos devem tomar duas doses, se não foram vacinados anteriormente ou não têm comprovação. De 30 a 59 anos, deverá receber uma dose. A vacina está disponível no SUS, sendo contraindicada para gestantes e imunodeprimidos.

Um pouco de história

O Brasil já recebeu diversas certificações que definiram o país como “livre de sarampo”. A última foi em novembro de 2024. Por esse motivo, qualquer novo caso acende um alerta vermelho para o risco de surtos, exigindo ação rápida das autoridades para evitar nova disseminação.

A doença foi uma das principais causas de mortalidade infantil no Brasil até a intensificação da vacinação na década de 1970.

  • 2016: o país recebeu a primeira certificação;
  • 2019: perdeu o título, pela ocorrência de novos casos;
  • 2024: recuperou o documento.

Essa oscilação se deve, segundo as autoridades sanitárias, à baixa cobertura vacinal em algumas localidades brasileiras e regiões vizinhas.

Atualmente, o país está livre da circulação endêmica, embora monitore o risco de reintrodução devido a surtos frequentes em países próximos. Cerca de 78% das pessoas que contraíram o vírus, em outras localidades das Américas, em 2025, não estavam vacinadas.

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Fabiana de Lemos é jornalista e médica. Membro da Sociedade Brasileira de Clínica Médica. Trabalhou no Caderno Gerais do Jornal Estado de Minas, de 1997 a 2003. Foi concursada da Prefeitura de Belo Horizonte e atuou como médica no SUS, de 2012 a 2018. Foi professora de Medicina pelo UniBH, até 2023. Atualmente, atende em consultório.