Quem venceu o debate?
Quem esperava um nocaute lado a lado se frustrou. A seis dias do pleito, BTG Pactual Nexus, realizada entre 16 e 18 de outubro, divulgada nesta segunda, 19, reforça a disputa dramática: Flávio tem 50,3% e Lula está com 49,7% das intenções de voto válidas. Pela frente, empate técnico e disputa voto a voto

Foi o primeiro debate de toda a sucessão presidencial, em que os dois principais candidatos se enfrentaram cara a cara. No primeiro turno, nem Lula (PT) nem Flávio Bolsonaro (PL) participaram juntos de debates, considerados importantes para que os eleitores possam comparar as candidaturas.
Mas, nesta reta final, em que estão em uma disputa voto a voto e em situação de empate técnico, ambos decidiram participar: o agregador de pesquisas CNN indica que, neste segundo turno, a diferença que era de 5 pontos percentuais em 8 de outubro caiu para apenas 2 pontos percentuais em 15 de outubro. Como são apenas dois candidatos, um ponto que um dos lados perde definirá a eleição.
Nestes últimos quatro dias, e em particular entre sábado e domingo, as duas campanhas promoveram manifestações de rua muito expressivas, principalmente apoiadores de Lula em várias cidades simultaneamente, inclusive Belo Horizonte neste domingo. Será uma semana de novas e várias pesquisas. Real Time Big Data, Quaest, Vox Brasil, Datafolha, Paraná Pesquisas e AtlasIntel têm pesquisas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para divulgação até sábado, 24, véspera do pleito. A BTG Nexus, divulgada nesta manhã, 19 de outubro, aponta Flávio com 50,3% e Lula com 49,7% das intenções de voto.
Quem assistiu ao confronto entre Lula e Flávio no primeiro debate buscando um nocaute de um dos lados, se frustrou. O formato foi ao estilo “telecatch”, aquele espetáculo de luta livre profissional, que combina combate físico e encenação teatral. É voltado para que as campanhas façam cortes usados nas redes sociais. Foram duas horas de troca de acusações e poucas informações objetivas de políticas públicas. Flávio Bolsonaro abusou da estratégia de ficar atrás de Lula, fazendo gestos, nos momentos em que Lula respondia.
Flávio Bolsonaro começou em vantagem, cobrando de Lula a relação do filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com a lobista Roberta Luchsinger. Na sequência, Lula emparedou Flávio, perguntando-lhe sobre os R$ 134 milhões pedidos por ele ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Houve outras trocas de acusações e questionamentos éticos lado a lado. As questões que afetam diretamente a vida da população tiveram pouco espaço. Pelo formato do debate, cada candidato evitou esgotar o seu tempo de fala antes dos momentos finais, com temas sendo abordados de forma truncada. É jogo que segue, até o próximo domingo, 25 de outubro.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora


