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Por que Caiado e Zema ensaiam aproximação?

Os dois ex-governadores consideram estreito o espaço na direita para crescimento de uma candidatura alternativa à de Flávio Bolsonaro (PL). Acreditam que juntos, podem arrancar com algo entre 8% e 10% das intenções de voto no primeiro turno, o que lhes daria mais chance de atrair novos apoios

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Zema e Caiado no Fórum Brasil Cidades • Solis Propaganda/Divulgação

Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), dois ex-governadores, conversam sobre uma união de forças no primeiro turno, numa tentativa de fortalecer uma alternativa à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A aproximação se dá após a divulgação dos áudios de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, pedindo dinheiro ao ex-banqueiro para financiar o filme de R$ 134 milhões que promove o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Caiado e Zema registram o potencial de desgaste de Flávio Bolsonaro entre eleitores que não são nem lulistas nem bolsonaristas e representam cerca de 30% do eleitorado brasileiro. É esse nicho que irá definir a eleição presidencial.

Para Caiado e Zema, embora Flávio Bolsonaro siga protagonista do campo bolsonarista e antilulista, com tração para chegar ao segundo turno, passa a ter, com o desgaste, menor chance de derrotar a candidatura à reeleição do presidente Lula: a proximidade com Vorcaro abala a imagem que a campanha de Flávio construía de “Bolsonaro moderado”, para tentar atrair o eleitorado não polarizado. Zema saiu na frente criticando Flávio. Caiado evitou se posicionar, ao mesmo tempo em que explicitou o seu desconforto. Apesar disso, nem Zema nem Caiado ganharam tração significativa com o episódio. Por isso, cogitam se juntar numa chapa que, projetam, poderia iniciar a campanha em primeiro com algo entre 8 e 10% das intenções de voto.

Quem seria o vice nessa eventual composição PSD e Novo é ainda uma pergunta aberta. Circulou a possibilidade de Zema encabeçar a chapa — única hipótese que o ex-governador mineiro diz aceitar. Mas Caiado não confirmou que aceitará ser vice de Zema. No PL, as conversas entre Zema e Caiado são avaliadas como “balão de ensaio”, com pouca chance de se concretizar: Zema integra o projeto nacional do Novo e Caiado, o projeto nacional do PSD.
Eventual composição nacional entre Zema e Caiado também resvala na sucessão mineira. O governador Mateus Simões, do PSD, - mesmo partido de Ronaldo Caiado - é candidato à reeleição, mas apoia Romeu Zema, do Novo, na sucessão presidencial. Se PSD e Novo se juntarem no plano nacional, em Minas, as duas forças se juntariam no palanque de Mateus Simões.

Apesar das tentativas de Mateus Simões para atrair o PL de Flávio Bolsonaro em Minas, a legenda trabalha neste momento trabalha na direção de uma composição com o Republicanos, em torno do senador Cleitinho, que ainda confirmou se será candidato. A cúpula do PL mineiro tem bom relacionamento com Simões, mas o contexto nacional inviabiliza uma aproximação do partido com o governador na sucessão mineira: Flávio Bolsonaro quer uma candidatura sólida ao governo de Minas, que possa lhe dar respaldo político. Caso Cleitinho não seja candidato ao Palácio Tiradentes, o PL tem o empresário Flávio Roscoe e o ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli como possíveis candidaturas em composição com o ex-prefeito de Patos, Luís Eduardo Falcão (Republicanos).