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Disputa entre Nikolas e Eduardo Bolsonaro é mais ampla e mira o futuro

Dois grandes grupos se confrontam na direita bolsonarista. De um lado estão Nikolas, Michelle e Tarcísio. Do outro Eduardo Bolsonaro e lideranças “raiz”, mais leais ao comando político da família

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Flávio Bolsonaro (PL), Eduardo Bolsonaro (PL) e Nikolas Ferreira (PL)
Disputa interna iniciada nas redes movimenta o PL nacionalmente • Reprodução

O confronto digital entre Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira é mais amplo do que uma troca de farpas casual, iniciada na Sexta Feira da Paixão. A acusação de Eduardo Bolsonaro é recorrente:  Nikolas estaria fazendo corpo mole para apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência da República. 

 

É uma disputa interna: de um lado estão posicionados Nikolas Ferreira, o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro. Do outro lado estão Eduardo Bolsonaro e lideranças que mantêm a trajetória política organicamente dependente da família Bolsonaro. Esse embate se refletiu na construção das chapas do campo bolsonarista para a presidência, para o governo de estados e, principalmente, na escolha das candidaturas ao Senado Federal pelos estados. 

 

No plano nacional, Nikolas, Michelle e Tarcísio respaldavam a candidatura de Tarcísio de Freitas à presidência da República, em chapa que teria Michelle como vice. Eduardo Bolsonaro defendia que o legado político da família deveria ficar com um dos filhos: foi ele quem mais atuou e articulou dentro da família e de seu grupo político a candidatura de Flávio Bolsonaro. 

 

O presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto também trabalhou pela candidatura à Presidência da República de Tarcísio de Freitas, agora descartada. Com o fim do prazo de desincompatibilização, Tarcísio permanece à frente do governo de São Paulo e irá concorrer à reeleição. Valdemar transita entre os dois grupos. A briga reforça a sua posição dentro do PL. 

 

Por um lado, Valdemar dribla Nikolas Ferreira incluindo nas chapas proporcionais para deputado federal – principalmente de Minas – nomes que desagradam ao deputado federal.  O projeto político de Nikolas passa por eleger uma bancada federal diretamente vinculada ao seu comando. 

 

Por outro lado,  Valdemar da Costa Neto tem declarado publicamente que Flávio precisa do apoio de Nikolas, Michelle e Tarcísio. Nessa direção, Flávio Bolsonaro apresentou uma Proposta de Emenda Constitucional para acabar com a reeleição para a presidência da República, buscando agradar principalmente a Tarcísio, nome potencial do campo para 2030, mas que perde espaço a depender do desempenho da candidatura de Flávio Bolsonaro nesta eleição. Na prática, tal proposta do fim da reeleição tem baixa probabilidade de ser aprovada em 2026. 

 

 

 

 

A partir de 2027, poderá ficar hibernando no Congresso, como tantas outras matérias que são despertas quando convém. O propósito é sinalizar às potenciais candidaturas à presidência que, caso eleito, Flávio não concorreria à reeleição, abrindo espaço para outros nomes como o de Tarcísio.

O desentendimento nacional entre as duas bandas do bolsonarismo repercute em Minas. O grupo ligado a Eduardo Bolsonaro, tende à defesa do apoio ao senador Cleitinho na disputa ao governo. Já o grupo de Nikolas Ferreira trabalha, pelo momento, pela candidatura à reeleição do governador Mateus Simões (PSD). Para além das posições políticas em torno das eleições de 2026, a disputa mira o futuro: quem comandará o campo da direita bolsonarista.

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