Itatiaia

Bertha Maakaroun | Depois de votar urgência para anistia, Motta vai punir motim e apoiar PL da Dosimetria

Tal sinalização chega como forma de Hugo Motta tentar reafirmar a sua autoridade

Por
O deputado Hugo Motta, novo presidente da Câmara dos Deputados • Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Uma no cravo e outra na ferradura. É assim que vem balançando, sem cair, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Na mesma semana em que pressionado pela oposição bolsonarista, colocou em votação o regime de urgência para a tramitação do projeto da anistia aos condenados da trama golpista, a Corregedoria da Câmara dos Deputados concluiu a análise das representações contra os 14 parlamentares, que organizaram motim que se estendeu por 30 horas na primeira semana de agosto.

Assistir vídeo:

São 12 deputados do PL, entre os quais Domingos Sávio e Nikolas Ferreira, de Minas Gerais, um do Novo e um do PP. Os parlamentares protestavam contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e exigiam que fosse pautado o projeto de anistia.

O Código de Ética da Câmara prevê uma escala de sanções que vai da advertência verbal à cassação do mandato. O corregedor, deputado Diego Coronel (PSD-BA) defendeu punições brandas para 11 parlamentares, em relatório encaminhado nesta sexta-feira à Mesa Diretora.

Para Nikolas e Domingos Sávio foi recomendada censura por escrito, junto a outros 9 parlamentares. É como se fosse um cartão amarelo, uma advertência que tende a agravar a análise futura de eventuais comportamentos considerados incompatíveis com o parlamento. Para três deputados a recomendação foi de suspensão.

Tal sinalização chega como forma de Hugo Motta tentar reafirmar a sua autoridade, no momento em que o relator do projeto da anistia, Paulinho da Força (Solidariedade-SP) já anunciou que o projeto da anistia deverá se chamar Projeto de Lei da Dosimetria. Paulinho da Força descartou uma anistia ampla, considerada inconstitucional, como exigiam os bolsonaristas raiz.

E anunciou que o projeto irá rever as penas aplicadas aos condenados, consideradas exageradas. Em Belo Horizonte nesta sexta-feira para um evento na Fecomércio, o ex-presidente da República Michel Temer (MDB) e um dos articuladores da proposta, defendeu um pacto nacional entre instituições e a sociedade civil para pacificar o país.

 

 

Belo Horizonte