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Filarmônica de MG apresenta a ópera no Brasil em concerto da série “Fora de Série”

Com regência do maestro Fabio Mechetti, Orquestra apresenta obras de Nunes Garcia, Nepomuceno, Mignone, Carlos Gomes e João Guilherme Ripper

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Desde o período colonial, a popularidade da ópera se mostrou irresistível aos compositores brasileiros. Na série “Fora de Série” do dia 14 de setembro, às 18h, na Sala Minas Gerais, a Filarmônica de Minas Gerais revisita alguns dos trechos mais emblemáticos do repertório lírico da Ópera no Brasil. De Nunes Garcia, passando por Nepomuceno, Mignone e Carlos Gomes, à obra recém-composta por João Guilherme Ripper, a variedade de estilos, influências e identidades serão reveladas pela Orquestra, sob a regência do maestro Fabio Mechetti, Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais. Os ingressos estão à venda no site www.filarmonica.art.br e na bilheteria da Sala, a partir de R$ 39,60 (inteira).

 

Este projeto é apresentado pelo Ministério da Cultura e Governo de Minas Gerais, com patrocínio da Porto Seguro e da Prodemge, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Apoio: Circuito Liberdade e Programa Amigos da Filarmônica. Realização: Instituto Cultural Filarmônica, Secretaria Estadual de Cultura e Turismo de MG, Governo de Minas Gerais, Ministério da Cultura e Governo Federal.

 

Maestro Fabio Mechetti, Diretor Artístico e Regente titular

Desde 2008, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, sendo responsável pela implementação de um dos projetos mais bem-sucedidos no cenário musical brasileiro.

Ao ser convidado, em 2014, para o cargo de Regente Principal da Orquestra Filarmônica da Malásia, Fabio Mechetti tornou-se o primeiro regente brasileiro a ser titular de uma orquestra asiática. Depois de quatorze anos à frente da Orquestra Sinfônica de Jacksonville, Estados Unidos, atualmente é seu Regente Titular Emérito. Foi também Regente Titular da Sinfônica de Syracuse e da Sinfônica de Spokane.

 Foi regente associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington e com ela dirigiu concertos no Kennedy Center e no Capitólio norte-americano. Da Orquestra Sinfônica de San Diego, foi Regente Residente.

 Fez sua estreia no Carnegie Hall de Nova York conduzindo a Orquestra Sinfônica de Nova Jersey e tem dirigido inúmeras orquestras norte-americanas, como as de Seattle, Buffalo, Utah, Rochester, Phoenix, Columbus, entre outras. É convidado frequente dos festivais de verão nos Estados Unidos, entre eles os de Grant Park em Chicago e Chautauqua em Nova York.

Vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, na Dinamarca, Mechetti dirige regularmente na Escandinávia, particularmente a Orquestra da Rádio Dinamarquesa e a de Helsingborg, Suécia. Na Finlândia, dirigiu a Filarmônica de Tampere; na Itália, a Orquestra Sinfônica de Roma e a Orquestra do Ateneo em Milão; na Dinamarca, a Filarmônica de Odense; dirigiu a Sinfônica Nacional da Colômbia e estreou no Festival Casals com a Sinfônica de Porto Rico. Na Argentina, conduziu a Filarmônica do Teatro Colón, com a qual se apresentará novamente em 2024.

No Brasil, foi convidado a dirigir a Sinfônica Brasileira, a Estadual de São Paulo, as orquestras de Porto Alegre e Brasília e as municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro. Trabalhou com artistas como Alicia de Larrocha, Thomas Hampson, Frederica von Stade, Arnaldo Cohen, Nelson Freire, Emanuel Ax, Gil Shaham, Midori, Evelyn Glennie, Kathleen Battle, entre outros. Fabio Mechetti é Mestre em Composição e em Regência pela Juilliard School de Nova York.

 

Repertório

Navegando entre momentos de maior e menor popularidade, a ópera se consolidou na cena artística brasileira e encontrou na nossa cultura um terreno fértil de temas, histórias e talentos.

 Assim como tantos outros costumes, o drama lírico chegou ao Brasil por meio da colonização portuguesa. As primeiras montagens formais de que se têm registro datam do final do século XVII, concentradas principalmente na Bahia e em Pernambuco. Ao longo do século seguinte, com o crescimento das atividades econômicas nas capitanias, começaram a surgir as primeiras casas de ópera nos grandes centros urbanos e a cultura da música de concerto, de modo geral, foi ganhando espaço no Brasil.

 Em 1808, com a chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro, tem início uma nova fase para a ópera no Brasil, na qual o volume de produções ganha imenso fôlego e o país passa a atrair mais artistas de fora, bem como a valorizar a formação dos seus próprios talentos. Os recursos e a presença da corte de D. João certamente foram essenciais para o desenvolvimento de um sistema cultural em torno da arte operística no país ao longo do século XIX, mas é importante reconhecer que o salto quantitativo e qualitativo só ocorreu porque a produção musical na colônia já contava com alicerces bem sedimentados, como mostra a obra que abre o programa de hoje.

Escrita em 1803 (portanto, cinco anos antes da chegada da Coroa), a Abertura Zemira enquadra-se no conjunto das aberturas autônomas, ou seja, daquelas composições pensadas como prelúdios orquestrais temáticos, mas que não são necessariamente vinculadas a uma ópera ou oratório que as sucede. A abertura enquanto gênero independente surge a partir da segunda metade do século XVIII, o que confirma a intimidade do padre brasileiro José Maurício Nunes Garcia, autor da Abertura Zemira, com a música de concerto praticada na Europa em sua época.

 O apogeu da ópera no Brasil acontece algumas décadas mais tarde, já após a Independência, nos tempos do Segundo Império. Por volta de 1850, a elite instalada às margens da Guanabara vivia um verdadeiro frenesi operístico, uma vez que o teor das montagens condizia com o estilo de vida festivo e luxuoso que começava a tomar conta dos salões, clubes e cassinos. É nesse contexto que emerge o talento daquele que viria a se tornar o nosso maior operista: Antônio Carlos Gomes.

 Graças ao sucesso de suas duas primeiras óperas no Rio de Janeiro, A noite do castelo (1861) e Joana de Flandres (1863), o próprio imperador D. Pedro II concedeu ao jovem Carlos Gomes uma generosa bolsa de estudos em Milão. Na Itália, o compositor aperfeiçoou-se na linguagem melodramática que tanto lhe era cara e desempenhou um papel importante, ainda que pouco reconhecido internacionalmente, na passagem do Romantismo para o Verismo no contexto lírico pós-Verdi.

Sua carreira foi alçada ao estrelato com a estreia de O Guarani (ou Il Guarany, no original em italiano) no Teatro alla Scala de Milão, em 19 de março de 1870. A adaptação dramática do romance indianista de José de Alencar foi um triunfo espetacular, repercutindo em toda a Europa e também no Brasil, onde Carlos Gomes era tido como herói. Sem dúvidas, o trecho mais conhecido de O Guarani é a Protofonia, uma peça de impressionante força dramática que se incorporou em definitivo ao imaginário nacional ao ser escolhida como tema do programa Hora do Brasil. Também de Carlos Gomes, apresentamos a Sinfonia de Salvator Rosa, outra produção de imenso sucesso que sedimentou seu status na disputada cena operística italiana.

Depois do furor vivido na segunda metade do século XIX, a ópera nunca mais alcançou tamanha adesão entre as plateias brasileiras. De fato, ao longo de todo o século XX, a produção nacional acompanhou, talvez de maneira ainda mais vertiginosa, um declínio geral na popularidade dessa expressão artística em todo o globo – mesmo que, cabe salientar, a ópera nunca tenha sumido de fato, nem no Brasil, nem em outros países.

 Próximo à virada dos anos 1900, surgiram casas que, ainda hoje, constam entre os mais emblemáticos palcos do país, como o Teatro Amazonas (inaugurado em 1896) e o Theatro Municipal do Rio de Janeiro (inaugurado em 1909). Também nesse período, acompanhando tendências vigentes na composição orquestral, a ópera brasileira busca um caráter mais nacionalista, tanto em suas inspirações quanto em suas sonoridades. Criada por Alberto Nepomuceno, O Garatuja: Prelúdio é o trecho inicial de uma ópera que nunca se concretizou por completo, mas, ainda assim, é capaz de evocar uma ambientação tipicamente carioca com o uso de ritmos populares como o maxixe e o lundu.

 Proposta similar pode ser observada na Congada de Francisco Mignone, um bailado inspirado nos ritos de coroação dessa manifestação religiosa e cultural afro-brasileira. Estreada de forma independente em 1922, a peça contou com recepção calorosa e imediata do público, e depois foi integrada ao Ato II de O contratador de diamantes, ópera passada no período da exploração do ouro em Minas Gerais pela Coroa Portuguesa.

Hoje, a ópera brasileira segue firme e forte, com montagens regulares em diversas capitais, importantes festivais e músicos comprometidos em manter acesa a chama do drama lírico em nossos palcos. Como prova disso, completa o nosso programa a Abertura Cartagena, obra novíssima de nosso parceiro João Guilherme Ripper, estreada em dezembro do ano passado, mostrando que o cenário da ópera no Brasil anda repleto de expressividade e vigor criativo.

 

Programa

 

Filarmônica de Minas Gerais

Fora de Série – Ópera no Brasil

14 de setembro – 18h

Sala Minas Gerais

 

Fabio Mechetti, regente

 

NUNES GARCIA Abertura Zemira

NEPOMUCENO           O Garatuja: Prelúdio       

MIGNONE                  O contratador de diamantes: Congada     

J. G. RIPPER Abertura Cartagena

CARLOS GOMES         Salvator Rosa: Sinfonia (Abertura)

CARLOS GOMES O Guarani: Protofonia

INGRESSOS:

R$ 39,60 (Mezanino), R$ 50 (Coro), R$ 50 (Terraço), R$ 72 (Balcão Palco), R$ 92 (Balcão Lateral), R$ 124 (Plateia Central), R$ 160 (Balcão Principal) e R$ 180 (Camarote).

 Ingressos para Coro e Terraço serão comercializados somente após a venda dos demais setores.

 Meia-entrada para estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação.

 Informações: (31) 3219-9000 ou www.filarmonica.art.br

 Bilheteria da Sala Minas Gerais

 

Horário de funcionamento

Dias sem concerto:

3ª a 6ª — 12h a 20h

Sábado — 12h a 18h

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