Dia da Mulher: A força feminina que movimenta a mobilidade urbana de BH
As mulheres estão cada vez mais presentes no trânsito, conquistando espaços em áreas historicamente masculinas

Na linha de frente da fiscalização do trânsito em BH, mulheres desempenham papéis fundamentais, desde a operação das vias até o planejamento da mobilidade urbana. No comando da BHTrans, a liderança feminina se destaca com figuras como Deusuite Matos Pereira de Assis, presidente da empresa, e Maria Odila de Matos, superintendente, que desempenham papéis estratégicos na definição das operações de trânsito.
Atualmente, a BHTrans conta com 295 mulheres em seu quadro efetivo, distribuídas por diversas áreas e cargos, como analistas de transporte e trânsito (38), fiscais de transporte e trânsito (38) e técnicas de transporte e trânsito (46). Essas profissionais enfrentam desafios diários, como a exposição às intempéries e o contato direto com motoristas, além de gerenciar conflitos nas vias.
Mesmo em um setor tradicionalmente dominado por homens, essas mulheres se destacam pelo comprometimento com a organização do trânsito e pela abordagem educativa na aplicação das normas.
Além da fiscalização, muitas delas ocupam posições de gestão e planejamento, contribuindo ativamente para a criação de políticas públicas que visam tornar as cidades mais seguras e acessíveis para todos.
Eunice Tassi Romagnoli é um exemplo de dedicação. Há quase 25 anos como agente de transporte e trânsito, ela trabalha diariamente das 6h às 15h, garantindo a fluidez nas proximidades de escolas e combatendo irregularidades. Além disso, monitora os semáforos e orienta os cidadãos sobre ônibus, desvios de tráfego e operações de obras e eventos.
Eunice também se envolve diretamente em situações de emergência, apoiando em acidentes e até ajudando a empurrar veículos com problemas nas vias. Para ela, a calma é fundamental.
"Preciso manter a tranquilidade diante das surpresas que o trânsito oferece", afirma.
"Ser dona de casa e trabalhar fora é um desafio. Se não estivermos atentas, a organização do lar se perde", completa.
O trabalho pode apresentar desafios, especialmente ao lidar com autuações, mas Eudete destaca a satisfação em cumprir seu papel.
"Os desafios fazem parte, mas são superados quando sabemos que estamos contribuindo para a nossa cidade", afirma.
Mulheres na fiscalização
Além de atuarem na fiscalização do trânsito, as mulheres desempenham um papel essencial no monitoramento e controle do transporte público da capital. Com o objetivo de proporcionar mais segurança e conforto aos usuários, a Diretoria de Planejamento e Controle da Mobilidade da Superintendência de Mobilidade Urbana (Sumob) conta com 30 mulheres que atuam em diferentes áreas, tanto no Centro Integrado de Operações de Belo Horizonte (COP-BH) quanto diretamente nas ruas e também na área de vistoria da frota e atendimento aos operadores localizada no bairro Buritis (sede da BHTrans).
Entre suas responsabilidades estão o monitoramento da lotação dos veículos, a vistoria preventiva do estado de conservação da frota, a verificação do cumprimento de horários e itinerários, a inspeção dos letreiros e a análise de contestações de viagens não validadas. As profissionais desempenham exatamente as mesmas funções que seus colegas homens, garantindo um transporte mais eficiente e organizado para a população.
Além disso, há uma equipe especializada no Controle da Frota, responsável pelo atendimento aos operadores do transporte suplementar, escolar, fretado e táxi, além de uma equipe de atendimento pré-vistoria que trabalha diretamente com os vistoriadores.
À frente de toda a operação de planejamento e controle da mobilidade está uma diretora, que, ao lado de três coordenadoras, lidera uma equipe de 78 profissionais, entre homens e mulheres. Essa gestão feminina reforça o compromisso da Sumob com a eficiência e a qualidade do transporte público na cidade.
Luci Leia de Castro Lemos, de 59 anos, é técnica de transporte e trânsito em Belo Horizonte há 12 anos. Sua atuação inclui a fiscalização de veículos de transporte, com vistorias realizadas diretamente nos Pontos de Controle (PC), onde registra eventuais irregularidades e emite autos de infração.
Além disso, ela trabalha nas plataformas das estações, fiscalizando o transporte e oferecendo atendimento tanto aos usuários quanto aos motoristas. Um dos desafios de sua função está na abordagem dos motoristas.
"Em alguns momentos, preciso ser mais firme para garantir o cumprimento das normas e regulamentos. Procuro sempre demonstrar profissionalismo e seriedade, deixando claro que meu trabalho deve ser respeitado", explica.
"Trabalhar com o público é muito enriquecedor, mas também bastante complexo, pois o resultado não depende apenas de uma pessoa", afirma.
Estudos e relatos de passageiros sugerem que muitas motoristas adotam uma postura mais calma, paciente e cuidadosa ao volante, o que pode ser atribuído a uma abordagem mais empática, frequentemente associada ao comportamento feminino.
Essa forma de conduzir resulta, muitas vezes, em uma direção mais suave, com menos riscos de manobras bruscas, o que contribui para uma viagem mais tranquila e segura para os passageiros.
O papel das mulheres motoristas de ônibus nas grandes metrópoles vai além do simples ato de conduzir um veículo. O jeito de dirigir dessas mulheres, muitas vezes, é marcado por uma atenção extra à segurança e ao respeito no trânsito. Além disso, as mulheres motoristas costumam ter uma sensibilidade maior para lidar com a diversidade de situações no cotidiano urbano.
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