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Em qual bloco ir? Conheça a foliã veterana por trás da planilha mais famosa do Carnaval de BH

Criado em 2016, o “Se Tem Broquin, Eu Vou” ajuda foliões a se organizar em meio a mais de 600 blocos pelas ruas de BH

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Entre planilhas, fantasias e quilômetros percorridos atrás dos blocos, Isabela Queiroz — ou simplesmente Bebel — transformou a paixão pelo carnaval em método
Entre planilhas, fantasias e quilômetros percorridos atrás dos blocos, Isabela Queiroz — ou simplesmente Bebel — transformou a paixão pelo carnaval em método • Anderson Porto/ Itatiaia

O Carnaval de Belo Horizonte cresceu, conquistou de vez quem é da cidade e também quem vem de fora — e hoje se espalha em centenas de blocos, tomando conta da capital mineira de ponta a ponta. No meio dessa festa gigante, tem quem ajude o folião a não se perder: planilhas que mostram aonde ir, que horas chegar e qual bloco escolher, em meio a mais de 600 opções pelas ruas da capital.

O “Se Tem Broquin, Eu Vou” é um dos projetos mais antigos — senão o mais antigo — desse tipo. O que começou como uma planilha entre amigos virou página no Instagram, com mais de 30 mil seguidores, e grupos que ultrapassam 1 mil membros.

Isabela Queiroz, mais conhecida como Bebel, de 36 anos, é uma das foliãs por trás do trabalho que disponibiliza, de graça, uma programação que deixa muita gente ansiosa a cada nova publicação. Mais do que consultar os horários, muitos foliões querem saber em qual bloco a Bebel vai, já que a escolha dela virou sinônimo de bloco bom e referência de dicas de 'ouro' para o Carnaval.

Bebel é a segunda entrevistada da série especial ‘Vida de Folião’, produzida pela Itatiaia. Publicada às quintas-feiras, a série vai contar histórias de pessoas que vivem o Carnaval dentro e fora da corda dos blocos de rua, acompanhando as transformações da festa ao longo do tempo e como a paixão pela folia mudou suas vidas.

Fantasias de Bebel nos últimos carnavais de BH

Do interior para a capital

A paixão da publicitária Bebel pelo Carnaval começou cedo, ainda na adolescência, aos 13 anos, mas longe da capital. “Comecei com 13 anos. Primeiro foi com minhas primas, em Diamantina, quando o Carnaval de lá ainda era muito forte — ainda é, mas na época era muito conhecido. Passei por lá durante oito anos. Depois fui para Pompéu, Abaeté, já fui para Ouro Preto... Naquela época, não existia Carnaval em BH”, recorda.

Ela lembrou ainda que até brincava dizendo que ficavam “bolas de poeira” passando pela cidade, porque todo mundo viajava. Mas o Carnaval ressurgiu a partir de 2009, com pequenos blocos voltando a ocupar as ruas, e ganhou força após um protesto contra o decreto que proibia eventos na Praça da Estação, no coração da cidade.

“Com o tempo, o Carnaval foi surgindo. É um Carnaval construído na luta. Eu já percebia que a festa estava crescendo, que as pessoas começavam a criar novos blocos. As escolas de samba já existiam, havia uma certa tradição, mas ainda era algo pequeno e pouco valorizado. Então resolvi ficar para ver como seria. Na época, eu ainda me sentia um pouco insegura em deixar o interior”, lembrou.

Ela se lembra de um dos primeiros blocos que a marcaram: O Santo Bando. “Ele saía da Rua Paulo Afonso, no bairro Santo Antônio (Região Centro-Sul) e passava perto da minha casa. É uma lembrança muito boa que eu tenho”, disse.

Página do 'Se Tem Broquin, Eu vou' no Instagram

O início das planilhas

As planilhas surgiram em 2016, quando ela passou a acompanhar mais de perto o Carnaval de Belo Horizonte e percebeu a dificuldade de saber onde e que horas os blocos desfilavam.

“Eu ficava confusa sobre onde os blocos saíam, que horas e em que região, e meus amigos também tinham essa mesma dificuldade”, contou.

Depois que ela criou a primeira planilha, com apenas 15 blocos, o material viralizou e as pessoas passaram a pedir cada vez mais.

“Em 2018, a gente migrou para o Instagram, criando 'O Se Tem Broquin, Eu Vou, Eu Vou', que hoje alcança mais pessoas. No início era só eu… Hoje tem mais gente. O projeto foi crescendo naturalmente e continua crescendo”, disse.

“Hoje, temos grupos no WhatsApp e no Telegram, criados para as pessoas poderem socializar, se conhecer e fazer amizades. Um deles já reúne mais de mil participantes. Os grupos também acolhem quem não tem companhia para ir aos blocos — seja porque o amigo não quer ir, está namorando ou prefere ficar em casa. A gente acolhe todo mundo”, afirmou.

Looks e perrengues

Bebel chama atenção por onde passa com figurinos criativos e cheios de brilho que combinam com os cabelos coloridos — cada vez de uma cor. A produção começa cedo: até quatro meses antes do Carnaval, ela já está de olho nas promoções para garantir as peças.

“Eu já começo a programar as compras das fantasias em outubro. Gosto de me precaver e, hoje, tenho mais fantasias do que dias de bloco", riu.

A publicitária contou que também gosta de combinar os figurinos com as amigas. Em uma dessas, ela e outras duas estavam com body amarelo, blusa e chapéu azul com estrelas e miçangas — e viveram um momento memorável.

“A gente conseguiu um trenzinho para ir ao Bloco da Bicicletinha, em 2024, que cabia três pessoas e, na época, achou que era uma ótima ideia andar nós três pedalando, tudo certinho. Mas foi um perrengue bem complicado, porque no final descobrimos que estava sem freio. Andar em Belo Horizonte sem freio não dá, né? Tivemos que frear igual aos Flintstones, colocando o pé no chão até terminar o trajeto”, diverte-se Bebel ao lembrar.

“Eu lembro muito dele desde quando era pequeno, quando saía numa Kombi. Hoje em dia já tem um trio bem grande, mas continua sendo um bloco muito bonito, com músicas excelentes.”

O ano de 2026 já começou com os blocos de "pré-pré-Carnaval", já que o pré-oficial começa dia 31 de janeiro, e Bebel entrou na folia logo na primeira semana do mês. Durante o período oficial, ela pretende ir a pelo menos dois blocos por dia, sempre com o objetivo de conhecer novos cortejos. Neste ano, a capital tem 178 blocos estreantes.

BH no futuro

Ao pensar no futuro, Bebel acredita que o ponto forte da capital mineira está na essência dos blocos de rua. “Eu vejo BH como o principal Carnaval, passando até mesmo Salvador. Apesar de serem propostas bem distintas, acho que, cada vez mais, os blocos de rua vêm ganhando força.”

Para Bebel, o Carnaval é mais do que uma festa: “Para mim, representa tudo: diversidade, amigos, amor, felicidade. Hoje, eu fico esperando todo ano a chegada do Carnaval. É a melhor época do ano.”

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Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.