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Carnaval BH 2025: blocos têm instrumentos furtados e contam com apoio de foliões para seguir na festa

Três repiques e um trombone foram furtados entre janeiro e fevereiro; amigos do Carnaval fazem vaquinha e emprestam instrumentos para ninguém ficar de fora

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Instrumentos furtados nas vésperas do Carnaval em BH  • Redes sociais/ reprodução

Em meios as centenas de ensaios e prévias que abrem o Carnaval, anúncios de instrumentos roubados ‘pipocam’ em grupos de WhatsApp e nas redes sociais. O do gerente de marketing Rafael Santos, 40 anos, é um deles, teve o trombone furtado após um evento no viaduto Santa Tereza, no Centro de Belo Horizonte, que comemorava os 15 anos do tradicional ‘Então, Brilha!’, há uma semana.

“É muito frustrante ter um instrumento furtado em qualquer tempo, especialmente nessa época em que participamos de bloquinhos todos os fins de semana. Uma sensação de não poder ocupar o espaço público por falta de segurança”, disse músico que tinha o instrumento há cinco anos e hoje toca em três blocos: ‘Queimando o Filme’, ‘Garota Eu Desço a Califórnia’ e ‘Estagiários Brass Band’.

No sábado (1º), ele integrou a fanfarra 'Estagiários Brass Band'. Foi após a apresentação da última atração, por volta das 22h, que o crime ocorreu. “O instrumento estava encostado na pilastra do viaduto, ao lado de outros instrumentos. A festa havia acabado, e eu conversava com amigos sobre ir para outro lugar, quando virei de costas para o trombone. Foi o tempo suficiente para o ladrão se aproveitar da oportunidade e cometer o furto”, contornou. O prejuízo, entre o instrumento e a mochila, ficou em R$ 1,5 mil.

viaduto.jpgEle procurou a polícia que estava no local, mas os agentes informaram que não poderiam fazer nem mesmo um boletim de ocorrência. “Fiz um BO on-line, mas sem a menor expectativa de que o caso seja levado adiante”, relatou ele, desesperançoso.

Agora, ele conta com a ajuda de amigos, que se mobilizam nas redes sociais, compartilhando fotos do trombone de vara da marca Weril, com uma inscrição do Sesc gravada. “Compartilharam as características e as marcas de amassado na campana (parte onde sai o som)”,

Um amigo emprestou um trombone para que ele não ficasse sem tocar. Outros artistas se ofereceram para criar uma rifa para arrecadar dinheiro e comprar um novo instrumento. Também sugeriram uma vaquinha para ajudar. “Estou estudando as possibilidades, mas sei que a responsabilidade pela segurança é do poder público, ainda que a nossa rede de pessoas que tocam e gostam do Carnaval queira ajudar”, acrescentou.

Outros três instrumentos furtados

O furto de outros três repiques de 12 polegadas quase prejudicou — e muito — o Tapa de Mina, bloco composto exclusivamente por mulheres, se não fosse pela união de 80 solidários que participaram da rifa para pagar novos instrumentos para não prejudicar o cortejo, que está sendo ensaiado desde agosto do ano passado.

“Ficamos muito tristes, porque praticamente todo o nosso naipe foi roubado. Haviam sobrado apenas dois repiques. Quem roubou possivelmente não tem ideia do quanto isso prejudica não só a nós, individualmente, mas um bloco inteiro. Pensamos em desistir”, contou a auxiliar administrativa Larissa Leal, de 38 anos, dona de um dos instrumentos, que também integra o ‘Truck do Desejo’.

Ela contou que o crime ocorreu no dia 18 de janeiro, após decidir deixar o ensaio e seguir para curtir o evento com os blocos 'Então, Brilha!', 'Swing Safado', 'Juventude Bronzeada', entre outros, que acontecia próximo ao Palácio da Liberdade, no bairro Funcionários, na região Centro-Sul de BH.

“Nós colocamos os instrumentos no carro, passamos na casa dela (no bairro Colégio Batista, região Nordeste da capital), deixamos os instrumentos no carro e seguimos de Uber para o evento”, disse. No dia seguinte, de manhã, ela teve a notícia de que o carro havia sido arrombado. O prejuízo foi de cerca de R$ 650 para cada uma, totalizando quase R$ 2 mil.

Ela não tem muita esperança de que os instrumentos sejam recuperados e contou com a solidariedade dos amigos. “Conseguimos levantar um dinheiro para comprar repiques. A nossa regente Laisa negociou com a Marcato (marca do instrumento) e, felizmente, já estamos com os instrumentos”, relatou.

O cortejo do Tapa na Mina ocorrerá em 15 de fevereiro, a partir das 13h, na rua Maria Carmem Valadares, 590, no bairro Santa Efigênia, na região Leste.


Na foto, o Bloco Tapa de Mina que se uniu para fazer a vaquinha

Polícia investiga

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou, por meio de nota, que apura as circunstâncias e autoria dos furtos registrados em janeiro e no último domingo (2). “Não houve conduzidos à delegacia, até o momento. Os casos estão a cargo da 4ª Delegacia de Polícia Civil Centro e 1ª Delegacia Leste”, disse.

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Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.