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Carnaval 2024: delegados de SP repudiam desfile que homenageou Racionais MC’s

A organização alega que a ala “Sobrevivendo no Inferno” demoniza os policiais; a escola de samba rebateu as acusações

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Carnaval 2024: delegados de SP repudiam desfile da Vai-Vai que homenageou Racionais MC’s • Reprodução / Instagram

O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) emitiu nota de repúdio contra o desfile da escola de samba Vai-Vai, que homenageou o grupo de rap Racionais MC’s, por “demonizar” a figura dos agentes da lei.

A Vai-Vai abriu o segundo dia de desfiles do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, no Sambódromo do Anhembi, no último sábado (10), com o samba enredo "Capítulo 4, versículo 3 – Da rua e do povo, o hip hop: um manifesto paulistano", inspirado no álbum "Sobrevivendo no Inferno" dos Racionais MCs.

Essa representação é considerada pela Sindpesp como "desrespeitosa e vil", alegando que a escola afrontou as forças de segurança pública.

Os Racionais MCs sempre foram críticos a violência policial no Brasil. No álbum "Sobrevivendo no Inferno", por exemplo, o grupo aborda o sistema prisional brasileiro na música "Diário de um Detento", sobre a realidade de um preso que enfrenta superlotação e abusos na cadeia.

Deputados federais da Frente Parlamentar de Segurança Pública da Câmara, conhecida como bancada da bala, também criticaram o desfile da escola de samba Vai-Vai pelo mesmo motivo da Sindpesp. Os parlamentares pedem que o governo de São Paulo corte o financimaento público ao grupo.

"Capítulo 4, versículo 3”

Em nota, o sindicato dos delegados de SP também alega que o samba enredo feito pela Vai-Vai se configura como um “escárnio” aos policiais.

A escola apresentou "Capítulo 4, versículo 3 – Da rua e do povo, o hip hop: um manifesto paulistano", abordando questões como racismo, miséria e desigualdade social. A música buscou dar voz aos artistas excluídos e subjulgados, principalmente do movimento hip hop.

O desfile lembrou os “renegados” da Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo, e fez uma homanagem ao álbum “Sobrevivendo no Inferno” - que aborda, dentre outros assuntos, a violência policial. O disco é o maior sucesso na carreira dos Racionais MC's, sendo considerado um marco no cenário do rap nacional, .

De acordo com o Sindicato dos Delegados de Polícia de SP, o samba enredo da Vai-Va desrespeita "profissionais dedicados à proteção da sociedade".

Não há na letra da Vai-Vai uma crítica direta às forças policiais. O foco do samba enredo é a celebração da cultura hip hop, a resistência contra o preconceito e a busca por igualdade.

Em resposta, a escola de samba lembra o contexto histórico de São Paulo na década de 1990, quando o álbum do Racionais foi lançado, com altos índices de mortalidade da população preta e periférica.

A nota da Vai-Vai também cita a marginalização dos precursores do movimento hip hop no Brasil, que eram alvo de repressão policial, prisões e estigmatização social.

Investigação por envolvimento com o PCC

A maior campeã do Carnaval paulista, a Vai-Vai está envolvida em relatórios da Polícia Civil que associam a escola de samba ao Primeiro Comando da Capital (PCC), conforme divulgado pela Folha de S. Paulo.

Documentos que correm em segredo na Justiça mencionam que a escola se tornou um "reduto" do PCC, a maior facção criminosa do Brasil, com base em São Paulo.

O processo, relacionado a lavagem de dinheiro, envolve o ex-diretor financeiro da Vai-Vai, Luiz Roberto Marcondes Machado de Barros, conhecido como Beto da Bela Vista.

A escola nega as acusações, destacando a falta de vínculo com o PCC em relatório divulgado pela Polícia Civil de São Paulo.

O histórico de Beto da Bela Vista inclui passagens pela prisão. A defesa alega que seu patrimônio é proveniente de uma herança e nega qualquer envolvimento com o crime organizado.

*Com informações da CNN

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Formado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai. Hoje, é repórter multimídia da Itatiaia.