O alto comando da Polícia Militar acatou o pedido do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e transferiu o oficial para a reserva, o que é equivalente à aposentadoria dentro da estrutura da corporação. Preso acusado de matar a soldado e esposa Gisele Alves Santana, 32 anos, o oficial irá se aposentar com salário integral de R$ 28 mil. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo desta quinta-feira (2).
A Itatiaia analisou a publicação da aposentadoria. No Diário Oficial, a PM diz que o oficial foi "transferido para a reserva a pedido". Na sequência, o documento afirma que o militar atendeu às exigências da legislação estadual e federal, além de ter cumprido o tempo de serviço exigido pela lei.
Citando os critérios mencionados, a corporação acatou o pedido do oficial e autorizou a aposentadoria com os "proventos integrais". O documento não faz nenhuma menção ao fato de o militar estar preso, sem realizar as atividades profissionais, acusado de matar a esposa.
Procurada pela Itatiaia, a Secretaria da Segurança Pública informou que autorizou a instauração de um conselho de justificação em relação ao tenente-coronel, que pode resultar em demissão, perda do posto e da patente. A instrução continua a valer mesmo após a transferência do oficial para a reserva. Ou seja, a aposentadoria não anula a investigação. Veja a nota:
A Secretaria da Segurança Pública autorizou a instauração de um conselho de justificação em relação ao tenente-coronel Geraldo Neto, que pode resultar em demissão, perda do posto e da patente. A instrução continua a valer mesmo após a transferência do oficial para a reserva.
O inquérito policial militar que apura a morte da soldado Gisele Alves Santana está em fase final e será encaminhado ao Judiciário. O oficial permanece preso preventivamente por decisão judicial, após representação da Corregedoria da PM. Além disso, o inquérito da Polícia Civil já foi concluído e encaminhado à Justiça, com pedido de prisão, que também já foi cumprido.
A Polícia Militar reafirma seu compromisso com a legalidade, a disciplina e a preservação dos valores que regem a atividade policial militar.
Tiro na cabeça
O tenente-coronel Neto é acusado de atirar na cabeça da esposa no apartamento onde viviam, no Brás, no Centro de São Paulo. O oficial alegou que a esposa atentou contra a própria vida. No entanto, laudos da perícia, imagens e depoimentos confrontam a versão apontada pelo tenente-coronel. Por conta disso, o militar foi preso por suspeita de feminicídio e fraude processual, que consiste em alterar a cena de um crime para tentar enganar a polícia.
Réu na Justiça comum e na Justiça Militar, o oficial, que insiste na tese de que a esposa se matou, está preso desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo.