Tarcísio de Freitas fala em 'rever procedimentos' após PM matar três pessoas em surto em SP
Em menos de duas semanas, três pessoas morreram durante abordagens da PM. Famílias alegam que vitimas estavam em surtos e denunciam excessos por parte da PM

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se manifestou pela primeira vez sobre a morte de Camila Pereira da Silva, de 32 anos, durante uma ação da Polícia Militar na última quinta-feira (15), no Parque São Domingos, na zona oeste da capital paulista.
Camila é a terceira pessoa morta a tiros por policiais militares em ocorrências envolvendo supostos surtos psicóticos em menos de duas semanas. Em uma agenda pública nesta sexta-feira (16), Tarcísio afirmou que acompanha os casos e defendeu uma revisão dos protocolos de atuação da corporação.
Segundo o governador, as ocorrências estão sendo apuradas individualmente para esclarecer as circunstâncias das reações dos policiais. Ele também destacou que os agentes precisam proteger a própria vida, mas reconheceu a necessidade de reavaliar os procedimentos adotados.
“Estamos acompanhando de perto. Cada caso está sendo apurado de forma individual. A gente tem que entender o que provocou a reação do policial em cada caso, porque tem situações em que você tem uma ameaça caracterizada, outras não. O policial está ali, tem que defender sua própria vida também”, afirmou.
Tarcísio anunciou ainda que se reunirá com o comando da Polícia Militar na próxima semana para discutir mudanças nos procedimentos e nos treinamentos dos agentes, com o objetivo de evitar excessos.
“Esses casos nos fizeram refletir sobre os procedimentos. Então, a gente vai ter uma reunião com o comando da Polícia Militar já na semana que vem para revisar procedimento e treinamento, para impedir que excessos aconteçam. A gente não quer isso. A polícia tem que proteger a sociedade”, declarou.
Caso Camila Pereira, morta durante abordagem na Zona Oeste de São Paulo
Supostamente em surto psicótico, Camila Pereira estava com uma faca nas mãos, não obedeceu ordens da PM e avançou para cima de três policiais militares. Sem tentar conter Camila Pereira de outra forma, um dos militares disparou contra a cabeça dela. Camila morreu ainda no local. O policial nega irregularidades e diz que agiu dentro dos protocolos da corporação.
O caso ganhou repercussão nacional após especialistas e membros da sociedade civil denunciarem 'excesso de força' por parte da PM na ocorrência. A situação ganhou contornos ainda maiores por não ser um fato inédito. Em menos de duas semanas, a Polícia Militar disparou 69 vezes contra duas pessoas em suposta situação de surto.
Caso Antônio Nunes Batista, morto durante abordagem da PM na Zona Norte
Em 3 de outubro, Antônio Nunes Batista, de 40 anos, foi baleado e morto na Vila Dionísia, na Zona Norte da capital, após ser alvo de 24 tiros da PM. Imagens mostram que o homem foi atingido por uma arma de choque, caiu no asfalto e depois foi atingido pelos disparos.
Segundo a PM, Antônio estaria armado com uma faca e uma barra de ferro e estaria ameaçando pedestres. Os policiais afirmaram que utilizaram uma arma de eletrochoque para tentar controlá-lo, mas que a medida não teria sido suficiente.
Caso Gustavo Munis de Santana, morto durante abordagem na Zona Sul
Em dia 10 de outubro, Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, foi alvo de 45 tiros em Moema, na Zona Sul da capital paulista. A PM afirma que Gustavo correu ao avistar uma viatura. Na sequência, em um local escuro, ele tirou o celular e fez um gesto com o aparelho como se fosse uma arma de fogo. Neste momento, ele foi alvo dos disparos dos militares.
A PM nega irregularidades. O secretário de Segurança Pública, Nico Gonçalves, afirmou que a ação 'Foi ação legítima' e não teve 'nada fora do protocolo'.
Na esfera criminal, os casos estão sendo investigados pela Polícia Civil. Na esfera militar, a Polícia Militar e a Corregedoria da corporação investigam a conduta dos militares e apura se os protocolos foram descumpridos.
Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.



