Polícia investiga 'golpe do vômito falso' em ônibus de SP
Depoimentos nas redes sociais apontam que criminosos estariam derramando um líquido desconhecido nas costas das pessoas

A Polícia Civil abriu uma investigação para apurar relatos de vítimas sobre o que pode ser uma nova modalidade criminosa no sistema de ônibus de São Paulo: o golpe do vômito falso. Relatos nas redes sociais apontam que criminosos estariam derramando um líquido desconhecido nas costas das pessoas em ônibus na capital paulista. Na sequência, um criminoso, que fala espanhol segundo os relatos, chama a vítima e mostra que a roupa dela está suja de vômito.
Por ser algo nojento, as vítimas relatam que ficaram atordoadas e queriam se limpar rapidamente. Neste momento, o criminoso se mostra prestativo, tira um lenço ou guardanapo da mochila e começa a ajudar a pessoa a se limpar. No processo de limpeza, a vítima se distrai e deixa a bolsa, celular e outros pertences pessoais no colo ou na cadeira ao lado.
Após ajudar a vítima, o homem diz que precisa descer no próximo ponto de ônibus. Após agradecer ao homem, que parece ter sido educado e prestativo, as vítimas percebem que estão sem o celular e outros objetos de valor. As vítimas suspeitam que o homem atua em parceria com uma ou mais pessoas, que normalmente ficam no entorno e também tentam ajudar a vítima a se limpar do falso vômito.
O criador de conteúdo Guilherme Giaretta foi uma das vítimas do golpe. No relato publicado, ele diz que estava sentado em um ônibus, voltando do trabalho, quando um homem o chamou. "Quando um homem me cutucou e apontou para minhas costas, vi que estavam todas sujas, como se fosse vômito. Fiquei desesperado, porque aquilo não estava ali quando me sentei e não vi nada acontecer. O homem falava em espanhol e dizia que havia uma criança atrás de mim, no colo de uma mãe. Ele puxava minha camiseta e dizia que ia limpar. Pegou um lenço, começou a limpar e chamou outro homem à minha frente, que o ajudava. Quando chegamos à próxima estação, eles desceram. Foi então que procurei meu celular e percebi que não estava mais comigo. Eles basicamente jogaram aquilo na minha roupa para me distrair", disse.
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Uma outra influenciadora, conhecida como Mirian em SP, também relata ter sido vítima do mesmo golpe. "Estava no ônibus que pego normalmente e havia pessoas ao meu lado, mas elas foram descendo. Em determinado momento, um homem, boliviano ou venezuelano, não sei ao certo, mas falava espanhol, disse que minha roupa estava suja, e de fato estava. Acredito que ele não agia sozinho, deviam ser pelo menos duas a quatro pessoas. Fiquei desesperada, porque parecia uma gosma, como vômito, meio amarelada. Eu estava com o celular na mão e, no desespero, o coloquei no colo para poder limpar. Nesse momento, ele, como um anjo, pegou um guardanapo que tirou da bolsa para ajudar a limpar. Foi questão de dez segundos: ele disse que o ponto havia chegado e desceu", disse. Nos vídeos dos influenciadores, outras pessoas comentaram ter passado pela mesma situação em pontos diferentes da cidade.
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Procurada, a Secretaria de Segurança Pública afirmou que localizou duas ocorrências de furto de celular em transporte público, registradas nos dias 22 e 25 de abril, semelhantes aos casos mencionados. Os casos estão sendo investigados pelo 78º Distrito Policial (Jardins) e pelo 28º Distrito Policial. As equipes das unidades analisam os elementos apresentados e realizam diligências com o objetivo de identificar e prender os envolvidos.
"A SSP orienta que, ao desconfiar de uma atitude suspeita, as vítimas acionem imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190, informando o máximo de detalhes possível, para que a viatura mais próxima possa se deslocar ao local e realizar a averiguação. É fundamental que as vítimas também formalizem o registro do boletim de ocorrência para que o caso seja devidamente investigado e os autores responsabilizados", destacou.
Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.



