PF e PGR investigam boicotes após eleições
O caso levou parlamentares a pedir uma investigação nacional à PGR, PF e MPT para apurar a origem e articulação dessas listas e a possível perseguição política

Listas com nomes de comerciantes, profissionais e trabalhadores identificados como apoiadores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passaram a circular no interior de São Paulo após o segundo turno das eleições, com apelos para boicote, demissões e recusa de contratação. O material provocou um pedido de investigação nacional por parte de parlamentares, liderados por Paulo Pimenta (PT-RS), à Procuradoria-Geral da República (PGR), Polícia Federal (PF) e Ministério Público do Trabalho (MPT).
Uma das listas que circulam no interior de São Paulo foi analisada. O material reúne dezenas de estabelecimentos e profissionais de diferentes setores, como restaurantes, lojas e prestadores de serviços, apontados como apoiadores de Lula. Há registros de listas em Tanabi, em São Paulo, São José do Rio Preto, em São Paulo, Mirassol, em São Paulo, e Votuporanga, em São Paulo.
Em Tanabi, em São Paulo, cerca de quarenta comerciantes, empresários e profissionais liberais foram incluídos nas relações. Mensagens que acompanham o material incentivam a inclusão de novos nomes e chegam a sugerir que consumidores façam compras em outras cidades para evitar negócios associados a eleitores de Lula.
O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), e outros parlamentares apresentaram à Procuradoria-Geral da República (PGR), à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT) uma notícia de fato pedindo uma investigação de âmbito nacional. O documento reúne episódios registrados em ao menos oito unidades da Federação.
Os parlamentares querem saber se a circulação quase simultânea e a semelhança entre as listas indicam algum tipo de articulação. Pedem que sejam comparados textos, imagens e metadados para identificar uma possível origem comum, os primeiros responsáveis pela divulgação e eventuais administradores compartilhados entre grupos.
A representação também pede a apuração de eventual participação ou financiamento de estruturas político-eleitorais. O documento ressalva que, até agora, os elementos reunidos não permitem atribuir responsabilidade a uma pessoa ou grupo específico.
Há precedente em São Paulo. Em Cafelândia, em São Paulo, duas pessoas responsáveis por uma lista de boicote divulgada nas eleições de 2022 foram condenadas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), em 2025, pelo crime de perseguição.
A apuração busca agora saber se as listas que surgiram em diferentes cidades são iniciativas locais semelhantes ou se há conexões entre os responsáveis pela produção e pela distribuição do material.
Acompanhe as últimas notícias produzidas pela CNN Brasil, publicadas na Itatiaia.



