'Ventania superou previsões e reflete super El Niño', diz prefeito do Rio de Janeiro
Prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) afirma que ventos que atingiram o Rio de Janeiro nesta quarta-feira (29) foram mais intensos do que o previsto, impactando a cidade e causando mortes.

As fortes rajadas de vento que atingiram o Rio de Janeiro (RJ) nesta quarta-feira (29) foram mais intensas do que o previsto pelos sistemas de monitoramento meteorológico, segundo o prefeito da capital fluminense, Eduardo Cavaliere (PSD).
Em entrevista à CNN Brasil nesta quinta-feira (30), o prefeito associou o episódio aos efeitos do "super El Niño", que tem potencial para intensificar a ocorrência de eventos climáticos extremos.
"Nesta quarta-feira (29), tivemos um evento extremo, com uma verdadeira ventania, muito mais forte do que o previsto pelas estações", afirmou Cavaliere.
A prefeitura já havia alertado a população sobre os riscos de eventos climáticos extremos. Cavaliere lembrou que, no último dia 20 de julho, a administração municipal realizou uma coletiva para tratar dos possíveis impactos do super El Niño no estado. Reportagens anteriores já apontavam que o Rio de Janeiro estava em alerta para ocorrências de alto impacto devido à ventania.
"No último dia 20 de julho, aqui na prefeitura do Rio (RJ), fizemos uma coletiva e um anúncio alertando a população para os riscos de eventos extremos causados por esse super El Niño, que já vinha alertando autoridades do mundo inteiro. E aqui no Brasil claramente já começa a gerar os seus efeitos", disse.
De acordo com Cavaliere, o município utiliza informações de 11 estações responsáveis pelo monitoramento dos ventos — três administradas pela prefeitura, três pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) e cinco operadas pelos aeroportos da cidade.
"Nesta quarta-feira (29), tivemos um evento extremo, com uma verdadeira ventania, muito mais forte do que o previsto pelas estações", comentou o prefeito.
Segundo Cavaliere, nenhuma das estações indicou que as rajadas atingiriam a intensidade registrada na quarta-feira (29).
"Houve um alerta, no início da tarde, de ventos moderados a fortes, mas esse alerta não previu a intensidade do que aconteceu. Ele também não previu que o fenômeno aconteceria antes do que foi efetivamente previsto, que seria no início da noite", afirmou Cavaliere.
Ainda segundo Cavaliere, a antecipação e a força dos ventos acabaram provocando impactos na rotina da cidade, afetando principalmente a mobilidade urbana.
O prefeito afirmou que os órgãos municipais permaneceram mobilizados durante toda a noite e a madrugada para minimizar os impactos da ventania. Equipes atuaram na remoção de árvores caídas, na liberação das principais vias da cidade e no restabelecimento dos serviços públicos. Na manhã desta quinta-feira (30), o sistema de transporte já operava normalmente na maior parte da capital.
Apesar da melhora nas condições, Cavaliere disse que a prefeitura permanece em estado de atenção e segue acompanhando a evolução do tempo por meio do COR (Centro de Operações Rio).
"Destacamos os efeitos desse super El Niño, que realmente, como as autoridades vinham alertando, podem gerar efeitos e eventos extremos maiores do que o usual para esse período do ano. Fica o alerta. Estamos aqui mobilizados no Centro de Operações", afirmou.
Fortes rajadas de vento acima de 100 km/h provocaram estragos e deixaram diversos bairros no Rio de Janeiro (RJ) e na região metropolitana sem energia nesta quarta-feira (29). Segundo a prefeitura, o maior registro de vento foi de 105,5 km/h, na região do Aeroporto do Galeão, entre 16h e 17h. Para os próximos dias, o Rio tem previsão de ventos moderados e as autoridades seguem em alerta.
Por conta da ventania, mais de 1,9 milhão de residências ficaram sem energia elétrica no estado do Rio de Janeiro.
Duas pessoas morreram após um muro desabar por conta de fortes rajadas de vento registradas em Santa Teresa, na região central do Rio de Janeiro (RJ). Além das mortes, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado está buscando um pescador desaparecido no mar de Tarituba, em Paraty, na Costa Verde do estado.
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