Após 200 anos, as araras-canindés (Ara Ararauna) voltaram a voar livremente sobre o Parque Nacional da Tijuca (PNT). Fernanda, Fátima e Sueli são as três primeiras fêmeas a retomar o território que pertencia aos seus ancestrais na Mata Atlântica fluminense.
A soltura é fruto de um trabalho iniciado em junho de 2025 pelo projeto Refauna, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Durante sete meses, as aves passaram por um rigoroso processo de aclimatação para aprenderem a viver sem o auxílio humano direto.
Vindas de São Paulo, as araras enfrentaram um treinamento intenso para desenvolver musculatura de voo e reconhecer frutos nativos. Um detalhe curioso marcou a adaptação: a preferência das aves por jabuticabas, embora agora precisem aprender a buscar outras fontes, como a palmeira macaúba, já que a jabuticaba é sazonal.
Um quarto indivíduo, batizado de Selton, ainda permanece no recinto de aclimatação. Ele passa por um processo natural de troca de penas e será solto assim que garantir total segurança para voos longos.
Os nomes das araras são em homenagem a atriz brasileira
A arara-canindé Fernanda, em homenagem à atriz Fernanda Torrres, em seu primeiro voo livre
Ciência Cidadã
A sobrevivência da espécie no Rio dependerá da tecnologia e da população. As aves foram soltas com anilhas e microchips, mas o monitoramento será reforçado pela Ciência Cidadã.
- Como ajudar: Moradores e visitantes podem registrar avistamentos através do aplicativo SISS-Geo (da Fiocruz).
- O que observar: Fotos e localizações ajudam pesquisadores a entender o deslocamento das aves pela cidade.
“As araras do Parque Nacional da Tijuca agora são as araras do Rio, dos cariocas e de todos os brasileiros”, celebrou Viviane Lasmar, chefe do Parque.
Ciência Cidadã é a colaboração entre cientistas profissionais e pessoas comuns (não cientistas) para gerar conhecimento científico.
Por que a volta das araras é vital?
As araras são peças-chave na restauração ecológica. Na Mata Atlântica, cerca de 90% das plantas dependem de animais para dispersar sementes. Sem aves de grande porte como as araras, a floresta perde sua capacidade de regeneração natural.
Próximos passos
A meta do Refauna é reintroduzir 50 araras-canindés nos próximos cinco anos. Ainda em 2026, novos casais devem se juntar ao grupo atual, com a expectativa de que iniciem o ciclo de reprodução em vida livre.