Conheça Fernanda, Fátima e Sueli, araras que voltaram a colorir o céu do RJ após 200 anos

Três fêmeas são as pioneiras desse retorno histórico, mas não serão as únicas: a meta do projeto Refauna é reintroduzir 50 araras ao longo dos próximos cinco anos

Arara-canindé uma das aves mais emblemáticas do Brasil, predonimante nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal

Após 200 anos, as araras-canindés (Ara Ararauna) voltaram a voar livremente sobre o Parque Nacional da Tijuca (PNT). Fernanda, Fátima e Sueli são as três primeiras fêmeas a retomar o território que pertencia aos seus ancestrais na Mata Atlântica fluminense.

A soltura é fruto de um trabalho iniciado em junho de 2025 pelo projeto Refauna, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Durante sete meses, as aves passaram por um rigoroso processo de aclimatação para aprenderem a viver sem o auxílio humano direto.

Vindas de São Paulo, as araras enfrentaram um treinamento intenso para desenvolver musculatura de voo e reconhecer frutos nativos. Um detalhe curioso marcou a adaptação: a preferência das aves por jabuticabas, embora agora precisem aprender a buscar outras fontes, como a palmeira macaúba, já que a jabuticaba é sazonal.

Um quarto indivíduo, batizado de Selton, ainda permanece no recinto de aclimatação. Ele passa por um processo natural de troca de penas e será solto assim que garantir total segurança para voos longos.

Os nomes das araras são em homenagem a atriz brasileira Fernanda Torres, e sua personagem Fátima, de “Tapas & Beijos” com a amiga Sueli, interpretada por Andréa Beltrão.

A arara-canindé Fernanda, em homenagem à atriz Fernanda Torrres, em seu primeiro voo livre

Ciência Cidadã

A sobrevivência da espécie no Rio dependerá da tecnologia e da população. As aves foram soltas com anilhas e microchips, mas o monitoramento será reforçado pela Ciência Cidadã.

  • Como ajudar: Moradores e visitantes podem registrar avistamentos através do aplicativo SISS-Geo (da Fiocruz).
  • O que observar: Fotos e localizações ajudam pesquisadores a entender o deslocamento das aves pela cidade.

“As araras do Parque Nacional da Tijuca agora são as araras do Rio, dos cariocas e de todos os brasileiros”, celebrou Viviane Lasmar, chefe do Parque.

Ciência Cidadã é a colaboração entre cientistas profissionais e pessoas comuns (não cientistas) para gerar conhecimento científico.

Por que a volta das araras é vital?

As araras são peças-chave na restauração ecológica. Na Mata Atlântica, cerca de 90% das plantas dependem de animais para dispersar sementes. Sem aves de grande porte como as araras, a floresta perde sua capacidade de regeneração natural.

Próximos passos

A meta do Refauna é reintroduzir 50 araras-canindés nos próximos cinco anos. Ainda em 2026, novos casais devem se juntar ao grupo atual, com a expectativa de que iniciem o ciclo de reprodução em vida livre.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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