Desembargadora muda endereço de jovem de abrigo para bairro nobre, e ela recebe 32 convites de emprego
Relato foi feito pela juíza Vanessa Cavalieri durante discussão sobre recrutamento de adolescentes pelo crime e a falta de oportunidades para jovens em situação de vulnerabilidade

Convidada para falar sobre o aliciamento e recrutamento de adolescentes por organizações criminosas e outros aspectos ligados à criminalidade organizada, a juíza do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Vanessa Cavalieri, viralizou nas redes sociais após relatar a história de uma jovem que tentava ser inserida no mercado de trabalho, mas que foi recusada por diversas empresas devido ao endereço onde morava: um abrigo.
A magistrada é responsável pelo julgamento do adolescente envolvido no caso do estupro coletivo de uma jovem de 17 anos, em Copacabana. O depoimento foi feito durante a CPI do Crime Organizado, no Senado Federal, na última terça-feira (11). Durante o relato, Cavalieri reforçou os desafios do sistema socioeducativo, além da importância de políticas públicas preventivas.
A juíza também afirmou, durante a CPI, que atos violentos contra mulheres cometidos por homens são, principalmente, praticados por jovens de classe média. Ainda segundo ela, a faixa etária com maior número de homens misóginos é a adolescência, conforme dados de uma universidade inglesa que relacionam esse fenômeno ao acesso precoce à pornografia.
Cavalieri ressaltou que, enquanto jovens de comunidades costumam se envolver em crimes como roubo, furto e tráfico, episódios de extrema crueldade aparecem entre adolescentes de classe média, com acesso à escola e a famílias estruturadas. Para a magistrada, a raiz da violência está na falta de conexão humana, afeto e pertencimento.
Relembre o caso
O crime ocorreu dia 31 de janeiro. A vítima contou em depoimento que foi atraída pelo ex-namorado, menor de idade, até um apartamento, em Copacabana, na Zona Sul do Rio.
A menor foi recebida pelo ex na portaria do prédio e disse que o encontro teria a presença de outras pessoas, mas a menor disse à polícia que não teria concordado com a proposta. Já no apartamento, ela teria sido obrigada a praticar atos sexuais com quatro jovens maiores de idade.
A vítima afirmou que também foi agredida e impedida de sair do quarto. O exame de corpo de delito confirmou lesões nas partes íntimas da menor. A polícia acredita que a adolescente foi vítima de uma emboscada.
Os quatro acusados vão responder por estupro coletivo qualificado, por se tratar de uma menor de idade e por manter a vítima em cárcere privado.
O menor suspeito de envolvimento no crime teve a representação socioeducativa requerida pelo MP por atos infracionais análogos. O disque-denúncia divul
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.



