Você teme a morte?
Ninguém passa ileso à “consciência” da finitude da vida! Há um mar de incertezas diante desse “acontecimento”

Você teme a morte? Essa é, antes de ser uma pergunta de Davy Jones, no filme Piratas do Caribe, uma questão existencial. Ninguém passa ileso à "consciência" da finitude da vida! Há um mar de incertezas diante desse "acontecimento". Será o fim? Para onde vamos? Qual será o sentido das lutas que travamos?
Há muitas formas de abordar esse tema. Focaremos, hoje, na compreensão dos estoicos. Para eles, a filosofia é fundamental, pois, ao filosofar, aprendemos a morrer. Isso ocorre porque a reflexão constante sobre a morte é, para eles, a condição necessária para uma vida plena e virtuosa. Lembrar que vamos morrer ajuda a não perder tempo, a procurar ser bons e a não ficarmos presos demais no que é menos importante.
A consciência da finitude, de que cada instante vivido é tambe morrido (Heidegger) ajuda a balizar cada ato, emoção ou sentimento humano. Tudo se ajusta ao fato de que no dia em que partirmos (e vamos!) a terra continua a girar. Ajuda saber que todos os interesses conflitantes, toda vaidade, toda ilusão chega a um termo. O fim de nosso termos é termos a caveira (Hamlet).
Seja em chave filosófica, poética, espiritual é possível convergir na direção de um consenso: o tempo que nos pertence é o "agora". No sagrado instante e, nada mais, se atribui significado ou futilidade à existência humana. Em chave espiritual, sobretudo, a vida só tem sentido quando encontramos um motivo pelo qual dar a vida...
Talvez, nessa perspectiva, o nosso grande temor diante da morte, seja que, já que "a vida só dá uma safra", sermos atravessados pela existência sem que os nossos dias tenham significado. "Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe" Óscar Wilde.
Todo o processo de luto complica ainda mais, quando o sujeito ainda não fez a travessia do "eu". É sempre o desafio para alguém que não consegue se ver se não no "lugar" de filho, amiga, neto, ver um sentido para continuar seguindo depois da perda de alguém que o amou.
Não bastasse isso, a fé cristã ainda oferece uma esperança ainda mais densa e profunda: a vida eterna! Os cristãos creem que a vida não é tirada, mas ressignificada. Findada a nossa peregrinação terrestre, aquilo que somos assumirá vida nova na eternidade.
É patrimônio da humanidade que o amor não é sepultável. É esperança cristã saber que quando algo chega ao fim, aí está o momento de agarrar o Deus vivo. É justamente no entardecer de alguma realidade ou expectativa que desponta a luz d'Aquele que vive para sempre.
Ter fé não é outra coisa do que confiar no Senhor que é especialista em sair de túmulos...
Pró-reitor de comunicação do Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade. Ordenado sacerdote em 14 de agosto de 2021, exerceu ministério no Santuário Arquidiocesano São Judas Tadeu, em Belo Horizonte.



