Um ano e meio após rompimento, Lagoa do Nado tem áreas vazias e interditadas em BH
Parque no bairro Itapoã, Região Norte de Belo Horizonte, ainda tem acesso restrito, queda no movimento e moradores cobram mais rapidez na recuperação

Gradis acompanhados por placas impressas em papel plastificado se misturam à tétrica vista de uma lagoa já morta. “Área interditada”, diz o aviso afixado em vários pontos do Parque Municipal Fazenda Lagoa do Nado, no bairro Itapoã, Região Norte de Belo Horizonte.
O corpo d’água foi sepultado por um deslizamento que o esvaziou completamente em 13 de novembro de 2024, quando a área total de 22 mil metros quadrados sangrou para as adjacências. Um ano e meio depois, o cenário pouco mudou – a fauna, antes destemida do contato humano, agora se esconde, enquanto a flora começa a dar sinais de reconstrução após a tragédia.
Por volta das 9h desta terça-feira (14), poucas pessoas transitavam no local, onde apenas as quadras de peteca e tênis estavam ocupadas. As áreas verdes foram, em grande parte, bloqueadas pelos avisos de interdição, enquanto locais em que havia, comumente, um fervor de gente, agora estão tomados pelo silêncio.
“É um prejuízo para o lazer das famílias, é uma área importante de descanso, lazer, de passar momentos agradáveis em meio à natureza. É um absurdo essa demora na recuperação e na entrega do espaço histórico do município”, contou à reportagem uma aposentada, que preferiu não ser identificada.
Uma sindicância da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), divulgada no ano passado, apontou “falha humana” no rompimento, e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) chegou a ajuizar uma ação por negligência por parte do Executivo, argumentando que alertas sobre riscos estruturais foram ignorados à época.
Com vistorias frequentes da Defesa Civil e da Superintendência de Desenvolvimento da Capital, a gestão de Álvaro Damião (União Brasil) à frente da Prefeitura ainda avalia como reconstruir a barragem.
Um porteiro que trabalha no local, que também não quis ser identificado, estimou que o movimento caiu, inclusive aos fins de semana, quando há maior quantidade de pessoas na Lagoa do Nado, em 40% desde o rompimento. “Dizem que está em processo de licitação e a previsão é para o segundo semestre, mas vamos ver”, relatou.

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou, nesta terça, que as ações de contingência da barragem foram concluídas em maio de 2025.
"Atualmente, providências estão sendo tomadas pela Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) visando à contratação de serviços técnicos para elaboração de projetos e execução das obras necessárias à implantação de nova estrutura de contenção e recuperação da área afetada da Lagoa do Nado", disse.
Segundo a administração municipal, as medidas foram realizadas junto à comunidade local, por meio de reuniões, "de modo a assegurar um maior alinhamento entre a solução técnica proposta e as demandas da população diretamente afetada."
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.



