Torcedor do Atlético de 16 anos responderá na Justiça por atos racistas em jogo da Libertadores
O caso ocorreu no dia 20 de agosto, no duelo entre Galo e San Lorenzo, pelas oitavas de final do principal torneio da América do Sul

O adolescente de 16 anos que fez gestos racistas registrados durante a partida entre Atlético e San Lorenzo, da Argentina, no jogo de volta das oitavas de final da Copa Libertadores, responderá por ato infracional análogo a racismo. Essa é a informação divulgada em coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira (15).
O caso ocorreu em 20 agosto na Arena MRV, no bairro Califórnia, na região Nordeste. Nas imagens, um torcedor atleticano imita um macaco e debocha de torcedores do clube rival.
"O procedimento investigativo concluiu pela responsabilização de um adolescente de 16 anos por ato infracional análogo racismo porque o adolescente, na partida de futebol da Copa Libertadores entre Atlético Mineiro e São Lourenço, teria limitado os gestos de macaco direcionados a torcida Argentina”, explicou a delegada Carolina Máximo, titular da Delegacia Especializada em Apuração de Ato Infracional.
As investigações confirmaram a identidade do torcedor, que foi intimado a prestar esclarecimento na delegacia juto ao responsável. "Ele admitiu que de fato teria perpetrado gestos de macaco com intenções racistas, porém ele se mostra bastante arrependido e gostaria, inclusive, de pedir desculpas pelo ato a qualquer torcedor que tenha sentido ofendido", disse.
O jovem argumentou que reagiu a provocações da torcida argentina, o que não muda a gravidade do ato, conforme a delegada. "A torcida argentina teria primeiro perpetrado atos de racismo, principalmente, na partida de ida. Mas é importante ressaltar que essa justificativa não exclui a prática do ato infracional", explicou a delegada.
Medidas socioeducativas
A penalidade para um adolescente pode ser de advertência até internação. “A equipe de investigadores fez um estudo sobre a pregressa desse adolescente, da conduta social, do comportamento na escola e na família. Nós não identificamos nenhum ato infracional pretérito. O racismo, apesar de ser um ato muito grave, ele não é perpetrado com violência ou grave ameaça, portanto, num primeiro momento a gente descarta a internação”, disse.
Ao ser questionada sobre a possível responsabilização por parte do time, a delegada disse que "o clube já tomou as providências necessárias identificando rapidamente torcedor e, segundo o próprio responsável legal, ouvido na delegacia, o sócio-torcedor foi cancelado e ele está impedido de frequentar as partidas por um período de tempo", disse.
O adolescente, que mora em Contagem (Grande BH) e estuda em uma escola municipal, disse que aprendeu a lição. “Ele se mostrou bastante arrependido pediu desculpas. Chegou ficar emocionado. Disse que aprendeu com o episódio.”
Nota de repúdio do Atlético
Na época dos fatos, por meio das redes sociais, o Atlético condenou a atitude e disse que a equipe de segurança do estádio atua em conjunto com a polícia para identificar o torcedor. Segundo o clube, o atleticano será duramente punido.
“O Galo é preto e branco! Não admitimos condutas racistas, muito menos dentro da nossa casa! A equipe de segurança da Arena MRV já trabalha junto à inteligência das polícias para identificar o torcedor que aparece fazendo gestos racistas no jogo de ontem, em direção à torcida adversária, no sentido de aplicar todas as punições cabíveis, de acordo com o regulamento de uso do estádio e o regulamento do programa de sócio Galo Na Veia, caso faça parte do quadro, bem como o Código de Ética e Conduta do Clube”, iniciou.
Ainda conforme o Galo, o clube se coloca à disposição das autoridades para colaborar na investigação. Por fim, o Atlético relembrou os dizeres “No to Racism” (não ao racismo), escritos em um mosaico feito pela torcida antes do jogo contra o San Lorenzo.
“O Atlético afirma, ainda, que dará total colaboração às autoridades no caso. A Arena MRV é lugar de respeito e igualdade, a exemplo do belíssimo mosaico feito ontem pela Massa, com os dizeres ‘NO TO RACISM’. Racismo é crime! Não basta não ser racista, é preciso ser Antirracista!”, completou.
Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.



