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Técnico de enfermagem vítima de injúria denuncia precarização em delegacia

Guarda municipal deu voz de prisão para mulher, de 24 anos, após ela invadir sala vermelha e proferir insultos racistas para profissional da UPA Norte

Por, Belo Horizonte
Técnico de enfermagem vítima de injúria denuncia precarização em delegacia • Divulgação / PCMG

Um técnico de enfermagem identificado como Jonis Carvalho Costa, de 29 anos, denunciou ter ficado mais de seis horas esperando para registrar um boletim de ocorrência na Delegacia de Plantão (Deplan 1), no bairro Floresta, na Região Leste de Belo Horizonte, após sofrer injúria racial na UPA Norte na madrugada dessa segunda-feira (25).

De acordo com Jonis, não havia nenhum delegado na Deplan para atendê-lo. O técnico de enfermagem só conseguiu sair da delegacia por volta das 8h, quando foi atendido por vídeo chamada, e o boletim de ocorrência foi registrado. A situação começou por volta das duas horas de segunda-feira (25) quando uma mulher, de 24 anos, invadiu a sala vermelha da UPA Norte, onde uma amiga dela, que havia sido esfaqueada, estava sendo atendida.

À Itatiaia, Jonis contou que pediu para a mulher se retirar da sala. O técnico de enfermagem explicou para a jovem que o local era restrito apenas para os profissionais de saúde e quem precisava de atendimento de urgência, sendo um ambiente sensível.

Contudo, a mulher não se retirou. Ele pediu novamente, e a jovem falou “Vai tomar no **, seu macaco”. À reportagem, o técnico de enfermagem relatou ter ficado em choque e questionado para a mulher o que ela havia dito. “Ela falou novamente a mesma coisa”, contou à Itatiaia.

“Eu fiquei sem reação. A gente estava tentando salvar a amiga dela, na sala vermelha tinha outras pessoas em situação delicada e ela falou isso”, afirmou Jonis. Diante da situação, o guarda municipal que atua na Upa Norte deu voz de prisão para a mulher.

Os dois foram, então, para a Deplan 1. Na delegacia, a mulher ficou algemada em um banco e ambos tiveram que esperar para serem ouvidos. “É uma sensação de impunidade. Na UPA todo mundo estava sobrecarregado, e eu achando que o atendimento seria rápido, que seria apenas registrar a ocorrência, mas foi um transtorno”, relatou.

Jonis Carvalho saiu da delegacia de plantão apenas por volta das 8h dessa segunda-feira (25), cerca de seis horas depois de ter chegado no local. Após ser ouvida pelo delegado, a suspeita foi encaminhada para uma cela, já o técnico de enfermagem conseguiu ir embora.

Posicionamento da Polícia Civil

Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que "recebeu, por meio da Central Estadual do Plantão Digital, a ocorrência registrada na madrugada de ontem (25/3), no bairro Novo Aarão Reis, em BH.

Uma mulher trans, de 24 anos, foi conduzida à delegacia, ouvida e autuada em flagrante delito pelas contravenções penais de perturbação do sossego e vias de fato, além dos crimes de desobediência e injúria racial, sendo encaminhada ao Sistema Prisional."

A corporação, no entanto, não comentou sobre as reclamações de demora no atendimento e precarização da delegacia.

Prefeitura de BH se manifesta

"A Prefeitura de Belo Horizonte informa que, na madrugada de quarta-feira (25), uma mulher acessou, sem autorização, a sala de emergência da UPA Norte. Um profissional da unidade tentou acalmá-la, momento em que ela iniciou os xingamentos e as agressões.

A Guarda Municipal estava na unidade e um agente interveio imediatamente. A mulher recebeu voz de prisão e foi conduzida à delegacia. O profissional registrou boletim de ocorrência."

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Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo