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'Se teve crime, que seja responsabilizado', diz advogado de mulher que morreu em UPA em MG

Declarações foram dadas após a mãe e o irmão de Brenda serem ouvidos pela Polícia Civil nesta quarta-feira (10)

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Brenda Larissa Maia, de 32 anos, morreu pouco tempo depois de gravar um vídeo denunciando a falta de médicos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Justinópolis • Imagem cedida à Itatiaia

O advogado Rodrigo Braga, que representa a família de Brenda Larissa Maia, mulher que morreu após buscar atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Justinópolis, em de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, afirmou que os familiares buscam esclarecer as circunstâncias da morte e contestam a versão apresentada pela prefeitura sobre a estrutura da unidade. As declarações foram dadas após a mãe e o irmão de Brenda serem ouvidos pela Polícia Civil nesta quarta-feira (10).

Segundo o advogado, a principal expectativa da família é que a investigação determine se houve falhas no atendimento prestado à paciente, que procurou a unidade de saúde no último sábado (6). “Nós buscamos a verdade real dos fatos. Queremos que seja apurado se houve negligência médica, omissão médica ou qualquer outra irregularidade. Se alguém cometeu algum crime, que seja responsabilizado”, afirmou.

Defesa contesta versão da prefeitura

Braga também questionou informações divulgadas pela Prefeitura de Ribeirão das Neves sobre as condições da UPA. Segundo ele, os relatos da família e vídeos gravados por Brenda antes de morrer mostram uma realidade diferente da descrita pelo município. De acordo com o advogado, a jovem registrou imagens das dependências da unidade enquanto aguardava atendimento.

Nas gravações, segundo ele, seriam mostradas paredes danificadas, salas em condições precárias e pacientes aguardando atendimento. “A prefeitura informou que havia médicos suficientes e que a unidade funcionava adequadamente. A família relata uma situação diferente. Se tudo estivesse funcionando da forma como foi divulgado, talvez ela não tivesse morrido”, declarou.

Necropsia deve apontar causa da morte

Ainda segundo o advogado, a família não aceitou um atestado de óbito que apontaria embolia pulmonar como causa da morte sem a realização de exames complementares. Braga informou que os familiares solicitaram a presença do Instituto Médico Legal (IML) para que fosse realizada necropsia, procedimento que deverá esclarecer o que levou a paciente a óbito. “O laudo pericial será fundamental para esclarecer as circunstâncias da morte. Hoje não existe confirmação oficial da causa da morte”, afirmou.

Investigação vai analisar atendimento prestado

De acordo com o advogado, a investigação deverá apurar desde o diagnóstico inicial até a conduta adotada pela equipe médica durante o período em que Brenda permaneceu na unidade. A defesa afirma que a paciente relatava dores no peito e que, em determinado momento, uma médica teria informado à família que o quadro seria compatível com uma dor muscular.

O atendimento recebido e os procedimentos adotados serão analisados durante a investigação. Braga também questiona por que a paciente não teria sido transferida para uma unidade hospitalar de maior complexidade caso seu estado de saúde apresentasse agravamento. “Tudo isso será esclarecido por meio dos prontuários, imagens de segurança, depoimentos de profissionais e pelo laudo da necropsia”, disse.

Ainda segundo o representante da família, uma funcionária da unidade poderia ter sido transferida de setor após a morte de Brenda, supostamente para dificultar sua oitiva. A informação, contudo, não foi confirmada pelas autoridades. O advogado acrescentou que o delegado responsável pelo caso informou que todos os profissionais que atuavam na unidade durante o atendimento da paciente deverão ser intimados para prestar esclarecimentos.

Caso segue sob investigação

A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte de Brenda Larissa Maia e aguarda o resultado dos exames periciais para definir os próximos passos da apuração. Até o momento, não há conclusão oficial sobre a causa da morte nem sobre eventual responsabilidade de profissionais ou da unidade de saúde. A Prefeitura de Ribeirão das Neves afirma que colabora com as investigações e sustenta que o atendimento seguiu os protocolos adotados pela rede municipal de saúde.

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Formado em jornalismo pela PUC Minas, foi produtor do Itatiaia Patrulha e hoje é repórter policial e de cidades na Itatiaia. Também passou pelo caderno de política e economia do Jornal Estado de Minas.

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Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) e pós-graduado em Jornalismo nos Ambientes Digitais pela mesma instituição. Possui experiência como repórter, produtor e coordenador de telejornal.