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Professores confirmam continuidade da greve na educação em BH

A Secretaria Municipal de Educação informa, em nota, que há um acordo vigente firmado com a categoria no ano passado e que a greve se inicia apesar dele

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Manutenção da greve foi estabelecida em assembleia realizada nesta segunda-feira (27) • João Felipe Lolli / Itatiaia

Os professores da rede municipal de Belo Horizonte aprovaram, em assembleia na manhã desta segunda-feira (27), a continuidade da greve da categoria, que pleiteia por abertura e diálogo com a Secretaria Municipal de Educação para tratar sobre avanços de “pautas privatistas” na capital. De acordo com a professora e diretora do Sindi-Rede, Carol Pascoalini, as escolas da cidade já podem ter aulas novamente suspensas a partir desta terça-feira (28).

“A partir de amanhã segue em suspensão. Porém, existem coletivos que, né, ainda não haviam deliberado sobre entrar ou não na greve. Havia coletivos que estavam funcionando Mas neste momento temos uma greve deflagrada por tempo indeterminado com nova assembleia somente na terça-feira da semana que vem”, pontuou.

Sobre a pauta de reivindicações, Carol ressalta que falta diálogo com os órgãos municipais de educação. “Quando a gente fala abertura de negociação é que a Secretaria Municipal de Educação está implementando uma série de políticas na educação, políticas privatistas que terceirizam a função do professor, o atendimento das crianças com deficiência sem nenhum diálogo com a categoria. Simplesmente à revelia. Não conversa com o diretor de escola, não conversa com o sindicato e isso é muito grave”, argumenta.

Ela ainda aponta problemas como falta de verba, a transição dos trabalhadores terceirizados e a falta de professores que, hoje, comprometem o atendimento com qualidade das crianças e adolescentes. “Só que hoje o mais grave, o mais perigoso, se trata da questão das condições de trabalho que hoje estão muito precárias e muito ameaçadoras”, acrescenta.

A Secretaria Municipal de Educação informa, em nota, que há um acordo vigente firmado com a categoria no ano passado e que a greve se inicia apesar dele. “A Secretaria Municipal de Educação esclarece que há um acordo vigente firmado com a categoria no ano passado, estabelecendo compromissos com efeitos até este ano. Entre eles, a garantia de recomposição salarial pela inflação em 2026. A greve se inicia, portanto, mesmo havendo um acordo”, diz o texto.

“Desde o início deste ano, a administração municipal vem se reunindo com representantes sindicais, acolhendo e analisando propostas relacionadas às pautas específicas da categoria”, finaliza.

Leia a nota na íntegra

A Secretaria Municipal de Educação esclarece que há um acordo vigente firmado com a categoria no ano passado, estabelecendo compromissos com efeitos até este ano. Entre eles, a garantia de recomposição salarial pela inflação em 2026. A greve se inicia, portanto, mesmo havendo um acordo.

Desde o início deste ano, a administração municipal vem se reunindo com representantes sindicais, acolhendo e analisando propostas relacionadas às pautas específicas da categoria.

Algumas medidas já foram implementadas para a valorização dos profissionais da educação:
* Instituição de data-base para reajuste salarial;
* Criação de duas novas progressões por escolaridade, com ganho de até 10,25% na carreira;
* Concessão de ajuda de custo para alimentação no valor de R$ 412,50 mensais para professores com jornada diária de 4,5 horas;
* Aumento superior a 58% no vale-refeição para jornadas de 40 horas ou dobra, ficando em R$ 60 por dia;
* Reajuste superior a 30% para bibliotecários plenos e de 7,6% para assistentes administrativos educacionais;
* Criação de benefício cultural para aposentados;
* Garantia de reajuste de 2,40% em janeiro de 2026, conforme legislação vigente;
* Compromisso de recomposição da inflação na data-base de maio de 2026.

Entre 2024 e 2026, mais de 3,1 mil professores foram nomeados por meio dos editais SMED 1/2021 e 03/2023. O concurso regido pelo Edital 3/2023 foi prorrogado, e a Prefeitura de Belo Horizonte estuda a realização de novo concurso público para a área da Educação.

A SMED respeita o direito à livre manifestação e reafirma o compromisso com a valorização dos servidores e o diálogo permanente com a categoria.

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Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (2024), mesma instituição onde diplomou-se jornalista (2013). Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades.

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Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.