Produtos da cesta básica registram queda no preço em BH
Na comparação com as outras capitais do Sul e Sudeste acompanhadas pelo Dieese, BH registrou os preços mais baixos

A cesta básica baixou 0,32% em Belo Horizonte no mês de maio, em relação a abril, e está custando R$ 666,82. O cálculo é do DIEESE em Minas, e foi divulgado nesta terça (6).
Quem vai ao supermercado tem sentido no bolso essa diferença, ainda que modesta, nos preços. A doméstica Cleide Lúcia afirma que as famílias precisam 'fazer um malabarismo' para conseguir pagar as contas.
"Está terrível, o tanto que aumento está difícil. O arroz caiu um pouquinho, o feijão também, mas o óleo e açúcar estão caríssimos", lamenta.
Elisângela, vendedora, afirma que fazer compras não tem sido fácil, mas que não está tão ruim.
"O que está mais caro a gente improvisa, substitui e por aí vai", explica.
Levantamento
Pelo levantamento do Dieese, os alimentos que mais caíram na capital nos últimos 30 dias foram a batata, que baixou 17,55%, o óleo de soja, que ficou 11,23% mais barato, o feijão, que diminuiu 5,12% e a carne, que teve uma queda de 0,72%.
Por outro lado, o tomate, o açúcar e o leite estão entre os componentes da cesta básica que subiram.
Para o economista e supervisor do órgão em Minas, Fernando Duarte, é importante ressaltar que a queda de preço não torna a cesta básica barata em BH.
"Agora a gente tem que lidar com a situação concreta de que é uma cesta muito cara. Uma coisa é a gente ter uma cesta barata outra coisa é uma cesta em queda. A gente está observando um patamar da cesta básica que em janeiro desse ano atingiu mais de R$ 700 na capital mineira e agora está tendo um recuo de preço, mas nada além em relação ao valor do salário mínimo", explica o economista.
Pelos cálculos do órgão, o valor de uma única cesta básica corresponde a quase 55% do salário mínimo atual.
"Se você imaginar que esse salário mínimo muitas vezes é para toda uma família, você observa que a cesta básica está muito cara. A gente faz uma estimativa que estabelece que o salário mínimo tem que satisfazer não só a necessidade de alimentação, mas de saúde, educação, moradia, vestuário, lazer, transporte e previdência. Com isso, o salário mínimo deveria sustentar o trabalhador e sua família então com base nessa estimativa o salário mínimo hoje para cumprir esses requisitos deveria ser R$ 6.652,09",
A boa notícia é que, na visão de Fernando Duarte, a tendência é de que alguns preços, de alimentos importantes para os consumidores, continuem baixando.
"Se continuando como está, a gente prevê uma instabilidade ou até mesmo uma queda nesses preços. Estamos observando uma redução do dólar, que influencia no preço do óleo, da carne e de todos produtos que tem demanda externa e que muitas vezes fazem uma pressão no mercado interno", completa.
Na comparação com as outras capitais do Sul e Sudeste acompanhadas pelo Dieese, BH registrou os preços mais baixos. São Paulo tem a cesta básica mais cara do país, custando R$ 791,82. A mais barata está em Aracaju, em Sergipe, ao custo de R$ 553,76.
Ana Luiza Bongiovani é jornalista e também graduada em direito. É repórter da Itatiaia.
