Primo de motorista morto em BH questiona versão de motoboy e cobra investigação
Edmilson Rodrigues dos Santos, de 41 anos morreu após levar um soco, em uma discussão de trânsito no bairro Candelária, na Região de Venda Nova

A morte de Edmilson Rodrigues dos Santos, de 41 anos, após uma briga de trânsito em Belo Horizonte, tem gerado questionamentos por parte da família. Em entrevista a Itatiaia, um primo da vítima — que preferiu não se identificar — contesta pontos centrais da versão inicial do caso e afirma que o desfecho foi resultado de “uma sucessão de erros”.
O caso aconteceu no bairro Candelária, na Região de Venda Nova, no último domingo (3), e foi registrado por câmeras de segurança.
Entenda o caso
Motorista leva soco no rosto de motociclista, bate em poste e morre em BH
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📹 Imagem cedida à Itatiaia pic.twitter.com/WNDGy915nV— Itatiaia (@itatiaia) May 4, 2026
Os registros flagram um motociclista com uma mochila de delivery amarela fazendo uma conversão à direita, para entrar na Rua Buritis. Nas imagens é possível notar que o motoboy não reduz a velocidade diante da placa de pare, na esquina da rua Waldemar Dias Coelho. Ao convergir, ele acaba sendo surpreendido por Edmilson, que estava subindo a Rua Buritis com um Uno vermelho, e vira à esquerda na rua Waldemar Dias Coelho.
O motoboy então grita insultos para Edmilson, que para o carro e chama o motociclista. O entregador para a moto em frente ao Uno de Edmilson e os dois iniciam uma discussão.
Nesse momento, um segundo motociclista se aproxima e fala para Edmilson não agir daquela maneira, dizendo que ele estava bêbado.
Ele então pede para o primeiro motociclista ‘sair da frente’, e arranca o carro. Neste momento, Edmilson Rodrigues dos Santos é atingido por um soco, perde o controle do carro e acaba colidindo com um poste, segundos após a agressão.
Os dois motociclistas testemunham o acidente e deixam o local pelo sentido contrário.
A Polícia Militar (PM) e o Samu foram acionados e encontraram Edmilson inconsciente e o veículo destruído. No local, foram realizados procedimentos de massagem cardíaca antes do encaminhamento ao Hospital Risoleta Tolentino Neves. Apesar dos esforços médicos, o motorista não resistiu aos ferimentos e teve o óbito confirmado na unidade de saúde.
'Nada justifica o que aconteceu'
Em entrevista a Itatiaia, o familiar disse que a situação poderia ter sido evitada se houvesse cautela de ambas as partes.
“Atitudes impensadas, porque se cada um parasse cinco segundos e seguisse a vida, normalmente não tinha acontecido isso”, afirmou.
Segundo ele, o primeiro erro teria sido do motociclista, que não teria respeitado a sinalização. O segundo, do próprio Edmilson, ao parar o carro para tentar conversar.
Acusações embriaguez
Uma das principais contestações da família é a acusação de que Edmilson estaria bêbado.
O primo afirma que não há confirmação disso e levanta outra possibilidade: um quadro de saúde.
“Ele sofre problema de diabetes, então a gente não sabe se ele estava com a glicemia alterada”, explicou.
Além disso, ele explica que a aparência do motorista poderia ter sido interpretada de forma equivocada.
“Ele usava lente. O olho dele é mais fechado, irritado… isso pode ter feito acharem que ele estava bêbado”, comntou.
O familiar também ressalta que, mesmo em caso de eventual irregularidade, a situação deveria ser resolvida de outra forma.
“Se estivesse bêbado, seria um problema com o Detran, não dessa forma”, disse o primo.
Ainda segundo outro familiar, que esteve no local após o acidente, até o momento, nem o SAMU nem o IML apontaram presença de álcool no corpo da vítima.
“Ele não estava na contramão”
Outro ponto contestado é a versão de que Edmilson dirigia na contramão.
“Não tem contramão. O que pode ter acontecido é que ele fez a curva mais fechada, mas continuou na mão dele”, afirmou o primo.
Segundo ele, o carro só teria parado em posição irregular, depois da confusão.
Soco pode ter causado perda de consciência
A família acredita que o golpe desferido pelo motociclista foi determinante para o acidente.
“Foi um soco muito forte, como uma marretada, da para ouvir o barulho. Ele perde a consciência e bate o carro.”
Pelas imagens, o veículo de Edmilson colide contra um poste segundos após a agressão.
“Ele só queria entender o que estava acontecendo”
O primo também rebate a ideia de que o motorista teria iniciado a agressão.
“Ele para e pergunta: ‘o que aconteceu? conversa comigo’. Ele queria entender.”
Para o familiar, a tentativa de diálogo acabou sendo interpretada de forma equivocada e desencadeou a discussão.
Pedido por justiça
A família agora espera que o responsável seja identificado e responda pelo caso.
“A justiça tem que ser feita. Não como vingança, mas para que a pessoa pense no que fez.”
Edmilson deixa quatro filhos e um neto.
Veja o que diz a PC
Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que investiga as circunstâncias e causas do acidente de trânsito.
“A perícia oficial deslocou-se ao local do fato, onde coletou vestígios e informações que poderão contribuir com a investigação. Segundo informações preliminares e descritas no registro de ocorrência policial, o condutor perdeu o controle da direção do veículo após uma briga de trânsito e colidiu com um poste. Em seguida, foi socorrido e encaminhado para atendimento médico, mas não resistiu. Até o momento, não houve nenhum conduzido à delegacia para as medidas legais cabíveis, e as diligências prosseguem para a elucidação do caso”.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego e Concursos.
Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.




