Prefeito diz que não vai voltar atrás nas demissões do SAMU em BH
Decisão envolve fim de contratos temporários de profissionais

O prefeito Álvaro Damião afirmou que a decisão pelo desligamento de profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) não tem volta. A declaração foi dada na manhã deste sábado (24), durante a inauguração do Centro de Saúde Jardim Felicidade, na Região Norte da capital.
Ele justificou a medida como uma adequação à realidade nacional, rechaçando críticas de que o atendimento seria prejudicado. "Todos os ajustes que você for fazer na prefeitura para poder readequar, você não pode gastar mais do que ganha. É só isso, a conta é simples, a conta é da sua casa também. [...] E quando você fala do SAMU, nós estamos só adaptando a uma regra nacional. Quantas capitais operam com três pessoas na cabine? É isso aí que vocês entenderam. Só Belo Horizonte. Será que o Brasil inteiro tá errado?", questionou.
Conforme já havia sido anunciado, 34 profissionais contratados de forma temporária durante a pandemia da Covid-19 terão os vínculos encerrados em 1º de maio, sem renovação. Segundo a pasta, as escalas serão reorganizadas para manter o atendimento à população e não haverá redução no número de ambulâncias.
'Desmonte no serviço'
Nessa sexta (24), a categoria realizou quarta manifestação da categoria em frente ao Hospital João XXIII, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, contra a decisão da administração municipal. A categoria fala em “desmonte” do serviço e alerta para riscos no atendimento à população e também para os próprios trabalhadores.
O movimento, que ocorre há uma semana, denuncia a falta de diálogo com a Prefeitura e com a Secretaria Municipal de Saúde. A categoria afirma que, até o momento, não houve abertura para negociação, o que levou os profissionais a buscar apoio em nível federal, com um apelo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A principal crítica é que as ambulâncias básicas passem a contar com apenas um técnico de enfermagem, em vez de dois. Érica Santos disse à reportagem da Itatiaia, nessa sexta-feira, que a mudança não considera a realidade da cidade e pode comprometer a qualidade e a segurança do atendimento de urgência à população.
Como forma de ampliar a mobilização, os trabalhadores lançaram uma petição pública online para sensibilizar a sociedade e pressionar por mudanças.
Veja o que diz a prefeitura
A Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) disse, por meio de nota, que 34 profissionais foram incorporados às equipes do SAMU durante a pandemia da Covid-19 por meio de contratos temporários em caráter emergencial. Esses contratos vencem em 1º de maio e não serão renovados.
"O SAMU conta atualmente com cerca de 710 profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e condutores. A SMSA destaca que as escalas dos profissionais serão reorganizadas, com o objetivo de manter a assistência à população. Além disso, não haverá redução na quantidade de ambulâncias", disse.
Ainda segundo a administração municipal, cabe ressaltar, também, que a Portaria nº 2.028/2002 estabelece que a equipe mínima para atuação em unidades de suporte básico (USB) é composta por um técnico de enfermagem e um condutor. "Esse modelo já é utilizado em outras cidades do país e passará a ser adotado por Belo Horizonte", finalizou.
Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.