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PC vai investigar vice-diretor após caso de racismo em de escola estadual de BH

Segundo o boletim de ocorrência, o diretor, de 61 anos, comentou sobre o pente garfo que um aluno usava

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Comentário sobre pente garfo gera denúncia de racismo em escola de Belo Horizonte • Imagens cedidas

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou nesta sexta-feira (29) que o vice-diretor da Escola Estadual Maurício Murgel será investigado, depois que um estudante de 16 anos denunciou ter sofrido racismo, durante uma aula no turno da tarde, nesta quarta-feira (27).

Relembre o caso

Segundo o boletim de ocorrência, o diretor, de 61 anos, comentou sobre o pente garfo que o aluno usava. O pente é muito usado em cabelos crespos ou cacheados.

Em entrevista à Itatiaia, o aluno relatou que o diretor se aproximou do jovem dentro da sala de aula e falou que “não via um (pente) daquele a muito tempo”, e que o objeto era muito usado nos anos 70.

“Em seguida ele falou que eu só podia usar aquele pente garfo, porque outro pente não passava no meu cabelo”, contou.

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Depois da aula o jovem tentou procurar o diretor. “Fui tentar resolver pra ver se ele pedia desculpas, mas ele me tratou mal, falou que podia chamar a polícia”, contou. Os pais do aluno foram até a escola e a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) foi acionada, , na noite desta quarta-feira (27). 

“Nunca passei por isso, foi uma sensação muito ruim, foi horrível”, relatou a vítima. 

Depois da aula, os estudantes saíram em defesa do colega. Em vídeos é possível ouvir os alunos gritando “racista” na porta da escola. Em outro registro o diretor aparece conversando com o estudante, não é possível ouvir o que é dito, mas o jovem aparece passando o pente nos cabelos em sinal de protesto.

Versão do diretor

Já a versão do diretor, segundo o boletim de ocorrência, é de que houve o comentário sobre o pente ser muito comum nos anos 70, mas, em seguida, o que ele disse foi: “Você quer ficar bonito, né?”.

Ainda segundo o boletim, o diretor afirma que os alunos repassaram a informação rapidamente e ele foi surpreendido pelos protestos. Ele também relatou para a PMMG que alguns professores ‘fomentaram’ a atitude dos alunos.

O que diz a SEE

A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) informou em nota que a Superintendência Regional de Ensino (SRE) Metropolitana B, responsável pela coordenação da Escola Estadual Maurício Murgel, enviou o Serviço de Inspeção até a unidade de ensino para elaboração de um relatório para averiguação dos fatos.

O Núcleo de Acolhimento Educacional (NAE), formado por psicólogos e assistentes sociais, também foi acionado para dar suporte à comunidade escolar.

“A Pasta destaca que realiza diversas ações de prevenção e conscientização durante o ano letivo, por meio do Projeto Socioemocional e Convivência Democrática, que instituiu a política estadual de promoção da paz no ambiente escolar. As ações incluem rodas de conversa sobre equidade e palestras sobre bullying.

Essas iniciativas visam combater o racismo, promover a diversidade e reforçar o respeito mútuo entre todos os membros da comunidade escolar

A SEE/MG reafirma seu compromisso em garantir um espaço educacional pautado pelo respeito, pela igualdade e pela promoção da diversidade”, informou em nota.

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.